23/12/2015

Sindicato e Ministério do Trabalho flagram Central de Assédio a Lesionados no Santander


O Sindicato acompanhou nesta terça (22) a visita do Ministério do Trabalho à unidade do Santander na Rua Siqueira Campos, no Recife. No local, eles flagraram uma situação constrangedora. Em uma sala, mais de dez funcionários, todos lesionados, todos distantes de sua agência de origem e em desvio de função, trabalhavam segregados dos demais, em uma clara situação de assédio moral.

“É uma situação vexatória. O pessoal é estigmatizado e acaba sendo alvo de chacota. O local é chamado pelos colegas de Sala de Castigo”, conta a diretora do Sindicato Kátia Cadena, que acompanhou a visita, junto com o também diretor Ronaldo Cordeiro.

Segundo os trabalhadores, a central existe desde julho, após a chegada do novo superintendente regional. A ação, segundo o banco, é chamada Plano de Choque e consiste na cobrança de dívidas. Segundo os trabalhadores, as metas são absurdas. “Passamos o dia ligando para os clientes. Os resultados são expostos por e-mail. A cobrança é constante. Só podemos ir ao banheiro uma vez por dia e com tempo cronometrado”, denuncia um funcionário.

A fiscal do Trabalho também constatou a completa inadequação do mobiliário: ergonomia fora do padrão, sem apoio para os braços, fiação e ligações elétricas com risco para os trabalhadores. E mais: “Discriminação contra lesionados, segregação, assédio moral, desvio de função”, diz o diretor do Sindicato Ronaldo Cordeiro.

Nenhum dos funcionários da sala é da unidade da Siqueira Campos. Todos têm CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) expedida e são portadores de doença ocupacional. Todos estão em desvio de função e boa parte deles tinha cargos gerenciais.

“Eu tinha uma carteira de clientes. Cumpria minhas metas, tinha boa produtividade. Tenho, inclusive, e-mail com elogios pelos meus resultados. De repente, tiram minha carteira, minha função... me transferem arbitrariamente para um lugar longe de minha residência, para fazer algo que não condiz com o cargo que eu ocupo e com a minha formação e meus anos de dedicação ao banco”, desabafa um bancário.

Segundo o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato, João Rufino, isso configura prática de assédio moral institucional. “Inclusive algumas pessoas que denunciaram a situação foram alvo de perseguição e até demissão”, denuncia Rufino.

Com o resultado da fiscalização, o tema será tratado na Comissão de Combate ao Assédio Moral do Ministério do Trabalho. “No próximo dia 26, o Sindicato se reúne com o Superintendente Regional do Trabalho para tratar do assunto”, diz Rufino.

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