06/08/2018

Para os acionistas tudo, mas e para os bancários?



O Brasil vive uma crise profunda já há alguns anos. O Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu apenas 1% em 2017, sendo a primeira alta após dois anos consecutivos de retração.


Falta emprego para 27,7 milhões de brasileiros. Segundo o levantamento trimestral divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 13,7 milhões de desempregados, 6,2 milhões de subocupados e 7,8 milhões de pessoas que poderiam trabalhar, mas desistiram porque já não conseguem procurar emprego. Assim, a taxa de desemprego/subutilização da força de trabalho ficou em 24,7% no primeiro trimestre de 2018, a maior da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios-Contínua (Pnad), iniciada em 2012. O contingente de subutilizados também é o maior já registrado pelo levantamento.


Nesse cenário de caos, somente uns poucos ganham, e muito! Esse é o 1% da população para quem nunca há crise. Pesquisa da Consultoria Economatica indica que, nos últimos 12 meses, até julho, a média de ganho dos acionistas, com dividendos e juros sobre capital próprio, foi a maior desde 2010.


Por lei, as empresas com ações na bolsa devem distribuir, no mínimo, 25% do lucro para os acionistas. No entanto, muitas delas, como as de energia e instituições financeiras, distribuem mais. O Itaú Unibanco, por exemplo, paga pelo menos 35% do lucro aos acionistas, e este ano vai pagar ainda mais: um “superdividendo” de 70,6% do lucro anual da instituição em 2017 (R$ 17,6 bilhões) – o maior montante já distribuído em um ano por uma empresa brasileira de capital aberto.


“Os banqueiros obtêm vultosos ganhos massacrando as bancárias e os bancários com metas abusivas. Contudo, nem sequer recompensam as empregadas e empregados com a justa participação nos lucros e reajustes dignos. Vem sendo assim em cinco rodadas de negociação da Campanha 2018, nas quais até agora os banqueiros não apresentaram nenhuma proposta concreta”, critica a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues.

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