13/09/2018

Cassi: Sindicato diz não a proposta apresentada pelo BB



O Banco do Brasil (BB) quer obter o controle total da Cassi e pretende cortar mais do que estabelece o Ministério do Planejamento via Resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR). A medida determina às empresas públicas federais estabelecer nos planos de saúde a paridade da contribuição entre patrões e funcionários, com cobrança por dependentes, faixa etária e/ou salário, entre outras medidas.


Mesmo tendo um prazo de 48 meses, a direção do BB pretende desde já fazer valer o dispositivo, contudo, sem cumprir o item que determina a preservação dos direitos adquiridos dos associados.


A empresa aproveita-se da CGPAR 23 para apresentar mudanças mais profundas, como por exemplo, a alteração do Estatuto da Cassi, que exclui novos funcionários e aposentados, bem como reduz a idade máxima dos dependentes de 24 para 21 anos. Também institui cobrança por dependente de modo discriminatórios entre ativos e aposentados.


As modificações vão além com a criação do Voto de Minerva na diretoria para o presidente indicado pelo BB, que vai utilizá-lo para atender às demandas apresentadas pelo patrocinador.


“A Resolução CGPAR 23 não exige alterações no estatuto. Porém, o banco aproveita a oportunidade, ilegalmente, para retirar os direitos da categoria e tomar o controle da Cassi. A precipitação da direção do BB se deve à possibilidade de transformações nos cenários político e econômico a partir das eleições de 2018. Tendo em vista isso, a empresa pretende desde já amarrar as mudanças para garantir suas vantagens. Mas, a categoria não aceitará em hipótese alguma a perda de direitos duramente conquistados. Vamos dizer não a proposta indecente do BB”, afirma a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano.


Sabendo que suas propostas são inaceitáveis para os associados, a empresa se retira das mesas de negociação com a Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e investe pesado em propagandas terroristas que ameaçam a “quebra” da Cassi, caso os funcionários não aceitem passivamente as mudanças.


“É absurdo que o BB, mesmo diante dos lucros exorbitantes que só aumentam todos os anos, ainda queira retirar dos funcionários o direito à saúde, já que pretende entrar com uma contrapartida menor e elevar o valor pago pelos funcionários, além das várias modificações no estatuto sem a devida consulta às instâncias competentes. Estamos prontos para resistir e avançar cada vez mais nesta luta, contando com o apoio de toda a categoria”, destaca a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.


Na Cassi, a diretoria e o Conselho Deliberativo da Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do Brasil aprovaram reforma estatutária e a revisão do custeio que favorece a empresa e prejudica os associados. A proposta prevê aumento de 4% para os associados, mantendo as contribuições do banco em 4,5%. Ainda estabelece cobrança por dependente de ativos, com contrapartida do BB, e por dependente de aposentados, sem contrapartida do BB.


“Só resta aos associados votar não na consulta ao Corpo Social e exigir que a direção do banco volte a negociar com os representantes dos associados para buscar uma alternativa que contemple às demandas de ambas as partes.

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