16/05/2019

Tsunami da Educação leva milhares às ruas em todo o País



A "Tsunami da Educação" levou mais de 2 milhões de brasileiros às ruas do País na quarta-feira, dia 15 de maio. O Sindicato dos Bancários de Pernambuco aderiu à mobilização e amanheceu nas ruas para dialogar com a categoria bancária e população de um modo geral sobre a importância que os bancos públicos têm para educação do País. No final da tarde, um grande ato unificado, com participação de mais de 50 mil pessoas, entre trabalhadores e estudantes, fez ecoar pelas ruas do Recife: "Não vai ter corte, vai ter luta!".

Anunciada pela CNTE, a Greve Nacional da Educação tomou corpo nas últimas semanas, após corte de 30% de investimentos para universidades e institutos federais, anunciado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. O contingenciamento das verbas discricionárias impedirá a realização de serviços básicos, como abastecimento de água, energia elétrica, limpeza e segurança, além do desenvolvimento de pesquisas acadêmicas.  

Na avaliação de Heleno Araújo, presidente da CNTE, as mobilizações foram uma positiva resposta dos brasileiros aos desmandos do governo. "Ganhamos o Brasil. Enchemos o Brasil de marcha como nos ensinou o patrono da Educação brasileira, Paulo Freire. É ocupar as ruas, é resistir, em defesa da Educação pública do nosso País. Estamos nas ruas para dizer não ao corte de investimentos do governo Bolsonaro, não à reforma da Previdência pública do povo brasileiro. Estamos ocupando todas as ruas. É apenas um aperitivo para a greve geral da classe trabalhadora no dia 14 de junho", afirma.

Enquanto as volumosas mobilizações ocorriam no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro fez declarações desrespeitosas dos EUA, chamando de "imbecis úteis" e "massa de manobra" os professores, estudantes e trabalhadores das demais categorias que participavam dos atos. 



Em carro aberto, na concentração do ato no Recife, na rua da Aurora, a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, fez críticas ao governo Bolsonaro. "Ele quer que o povo nordestino volte a pedir esmola. Mas o Nordeste, Pernambuco e o Brasil não vai aceitar pedir esmola. Queremos Educação, Saúde e dignidade. Vamos lutar, vamos resistir! Fora Bolsonaro".

A marcha saiu por volta das 17h, cruzando a avenida Conde da Boa Vista. No trajeto, os manifestantes chamavam palavras de ordem em defesa da Educação, contra os cortes, contra o presidente Jair Bolsonaro e em defesa da unidade e resistência. A dispersão ocorreu na Praça do Carmo, no Centro do Recife.

Bancos Públicos fortes, Educação para todos

Durante a manhã, os dirigentes do Sindicato percorreram agências da avenida Marquês de Olinda, no Bairro do Recife, destacando a ameaça de privatização dos bancos públicos e os impactos dessa medida para a Educação. Com o lema “Bancos Públicos Fortes, Educação para Todos”, o Sindicato realizou ao meio-dia, um ato público em frente ao Banco do Brasil da avenida Rio Branco. A manifestação antecedeu o ato unificado em defesa da Educação pública e contra a reforma da Previdência. 

O dirigente da CUT Pernambuco e do Sindicato, Fabiano Moura, destacou a resistência da classe trabalhadora diante das investidas do governo Bolsonaro. "A aula hoje é nas ruas. Os trabalhadores de diversas categorias estão unidos em defesa da Educação pública, que é um setor fundamental para o desenvolvimento do País. As atividades realizadas por todo o País nesse dia 15 de maio são uma preparação para a Greve Geral, que está convocada para o dia 14 de junho. Vamos resistir contra os retrocessos", afirma.



Além de realizarem repasses para a Educação pública, os bancos públicos financiam linhas de crédito estudantil, como o Fies e o ProUni. A privatização dessas empresas representaria mais um ataque aos investimentos sociais. Para a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano, é fundamental o engajamento da sociedade nos atos chamados pelas centrais sindicais a fim de impedir o avanço dos retrocessos. “Só conseguiremos barrar esses ataques se caminharmos juntos. Todos os setores já estão sentindo os reflexos das medidas do governo Bolsonaro. O corte na Educação pública é uma tragédia; a reforma da Previdência não combate privilégios, só traz prejuízos aos trabalhadores; e a privatização das empresas públicas é um desmonte que impactará o desenvolvimento do País. Estamos nas ruas para exigir respeito ao que construímos”, destaca Sandra.

Para se ter uma ideia do impacto do corte anunciado pelo MEC, de acordo com dados levantados pela Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, R$ 2,1 bilhões deixarão de ser repassados para universidades, bem como R$ 860,4 milhões para os Institutos Federais e R$ 914 milhões para educação básica.

Desde o início do governo Bolsonaro, movimentos sociais e sindicais estão se articulando para barrar os graves ataques. Enquanto outros países investem em educação visando pesquisas, avanços tecnológicos, geração de emprego e renda para população, o Brasil está caminhando em direção contrária ao desenvolvimento.

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