Bancários se reúnem com Portela e cobram mudanças na gestão do Santander

A Contraf-CUT se reuniu pela primeira vez com o
presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, nesta quinta-feira,
dia 15, no prédio da Torre, em São Paulo. A reunião foi solicitada
por ele, que começou expondo que ali cumpria um objetivo que
estabelecera desde a sua posse: o de dialogar com as entidades
sindicais.

Os dirigentes sindicais pediram informações sobre
a situação do Santander no Brasil e na Espanha. Portela afirmou que
tanto a filial brasileira, quanto a dos demais países funcionam como
“subsidiárias independentes” e que têm autonomia em
relação à Espanha. Ele também apontou a estratégia da empresa
de, em três anos, o Santander ser o melhor banco para se
trabalhar.

Sobre a crise internacional, principalmente na
Europa, Portela disse que o banco está protegido da crise, pois os
investimentos da matriz na dívida pública espanhola têm as mesmas
proporções que nos títulos públicos no Brasil. Para ele, não há
um cenário de risco na Espanha, nem a possibilidade de respingos da
crise no Santander Brasil. O presidente do banco assinalou uma
expectativa de crescimento no Brasil, mesmo com redução na demanda
de crédito.

Diante deste quadro, de aparente tranquilidade,
os dirigentes sindicais indagaram o motivo de tanta remessa de
capitais para a Espanha. Portela respondeu que o Santander envia
dividendos para os acionistas espalhados pelo mundo.

Os
sindicalistas sabem, no entanto, que as remessas não são apenas de
dividendos. Quase metade do arrecadado com o a venda de ações
(IPO), em outubro de 2009, foi enviado à Espanha, que nesta semana,
inclusive, ocorreram outras remessas, conforme noticiou a mídia
brasileira.

Desta forma, os dirigentes sindicais alertaram
que essa prática poderia resultar, para a filial brasileira, o mesmo
desfecho da fábula da galinha dos ovos de ouro.

Quanto à
expectativa de crescimento no Brasil, os sindicalistas questionaram o
porquê da eliminação de mais de mil postos de trabalho no primeiro
semestre deste ano, da falta de funcionários, da sobrecarga de
trabalho e do sufoco no cumprimento de metas abusivas. Eles
salientaram, ainda, que essa política adoece os funcionários e não
alavanca o banco no mercado, sendo, portanto, necessário
mudá-la.

Portela retrucou dizendo que o banco precisa
contratar para crescer e que, no mercado, ainda há dificuldades
neste sentido. Os sindicalistas apontaram que metade das demissões
ocorre porque os próprios trabalhadores pedem para sair.

Os
passivos do Banespa, em especial dos aposentados do Banesprev, também
foram destacados, como sendo uma das principais fontes de conflitos
do Santander nas comunidades, a ponto de ter uma CPI para ser
instalada na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Os
dirigentes sindicais reafirmaram ainda a intenção de manter sempre
o diálogo e a mesa de negociação e, no final, pediram que houvesse
valorização da área de RH do banco, para que sejam apoiadas
iniciativas que valorizem os trabalhadores, único caminho para o
Santander crescer no Brasil.

Ao final da reunião, as
entidades entregaram uma carta com as principais questões que
preocupam os funcionários e aposentados do banco, como a estratégia
de crescimento, a remessa de lucros para a Espanha, o corte de
empregos, as condições de trabalho e vida, as relações sindicais
e as pendências com os aposentados.

Portela ficou de agendar
uma nova reunião com os dirigentes sindicais no final do
ano.

Avaliação – A
Contraf-CUT considera que foi importante dialogar com o presidente do
banco, mostrar a preocupação dos sindicalistas sobre os rumos do
banco no Brasil e na Espanha, destacar os principais problemas dos
funcionários e aposentados e apontar a necessidade de mudar o modelo
de gestão no Brasil.

Para o Sindicato, a política de metas
abusivas não colocou o banco em primeiro lugar no mercado, como
enfatizava sem êxito o ex-presidente Gabriel Jaramillo, mas trouxe
muita insatisfação para os funcionários e gerou uma imagem
desgastada junto aos clientes e à sociedade brasileira que as
campanha
s milionárias de marketing não estão
revertendo. O banco precisa respeitar o Brasil e os brasileiros e
trilhar outro caminho para crescer.

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