Itaú demite vítimas de assalto

Thalita Conceição
Araújo, agência do Itaú no Hospital Português. Henrique Oliveira,
gerente operacional da Agência Boa Viagem. Ambos profissionais
exemplares, com unidades muito bem classificadas no programa de
avaliação de desempenho da empresa. Foram demitidos nesta
quinta-feira, 15 de setembro. Além da demissão na mesma data, outro
fato aproxima os dois bancários: ambos foram vítimas de assaltos há
pouco mais de um mês.

Thalita lembra o fato com detalhes: “Os
bandidos arrombaram a porta com uma marreta, um deles caiu sobre os
estilhaços de vidro. Mas foi ele mesmo quem pulou para dentro da
bateria de caixa, com uma arma na mão. Tive de entregar a chave do
cofre”, lembra a bancária, que trabalhava como chefe de serviço
na tesouraria. No entanto, além da tensão sofrida pelas ameaças,
ela ainda teve de conviver com outra preocupação: “eu só pensava
na quantidade de dinheiro que tinha sido levada. Já imaginava que ia
ter problemas depois”.

Henrique, por sua vez, veio
promovido, de Maceió. Ainda estava sem uma locação definida quando
sofreu o primeiro assalto, em seu primeiro dia de trabalho na agência
Prazeres. A agência estava lotada e houve até tiros. O bancário
começou a ter insônia, mas nada que pudesse ser comparado ao que
ele viveria um mês depois, na agência Boa Viagem. “Foi um assalto
feito por profissionais, com armamento pesado, até metralhadora. E
eles sabiam tudo sobre o funcionamento da agência e horário de
chegada do carro-forte”, lembra Henrique, que era gerente
operacional.

O tesoureiro, que já tinha histórico de pressão
alta, saiu de licença logo depois. Ele teve de segurar as pontas,
tomando medicamentos para se manter sob controle. “Todos os
procedimentos foram cumpridos. Não houve qualquer falha nossa”,
diz Henrique. Por outro lado, tanto em Boa Viagem quanto no Hospital
Português, sobram falhas por parte do banco.

No Hospital
Português, não há porta de segurança e a tesouraria funciona
dentro da copa, onde também está instalado o banheiro. Em Boa
Viagem, também não há porta. A unidade estava em reforma, sem
câmeras, sem alarme e, no dia do assalto, os cofres-fortes não
podiam ser utilizados porque a porta havia sido trocada e os
funcionários não tinham a nova chave. “A gente se sente
humilhada, revoltada e injustiçada por ser descartada desta maneira
depois de tudo o que já fez pelo banco”, desabafa Thalita.

Ao
receber o comunicado de demissão, o chefe imediato de Henrique disse
que nada tinha contra ele, mas que o banco estava lhe demitindo “para
que servisse de exemplo”. “Exemplo de quê? Os colegas, até de
outras agências, muitas vezes me procuram para tirar dúvidas porque
eu sou uma referência como profissional. Está todo mundo revoltado.
Nossa equipe estava motivada, tínhamos sido primeiro lugar no
programa AGIR. Recebi, em um dia, mais de quarenta mensagens de
indignação”, conta o trabalhador.

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