O Banco do Brasil
frustou os bancários na negociação desta terça-feira, dia 20, e
não apresentou nenhuma proposta para as reivindicações específicas
dos seus funcionários. Na terceira rodada de negociações,
realizada em São Paulo, os representantes do BB se limitaram a dizer
que a empresa seguirá o mesmo acordo que for fechado para todos os
bancários, na mesa da Fenaban, que debate a Convenção Coletiva de
Trabalho (CCT).
“Temos uma série de reivindicações
específicas que foi deixada totalmente de lado pelo Banco do
Brasil”, comenta o secretário-geral do Sindicato, Fabiano Félix,
que é funcionário do BB. “Assim, só resta aos bancários do
Banco do Brasil participarem em peso da assembleia que será
realizada pelo Sindicato nesta quinta-feira, dia 22, às 19h, para
rejeitarmos a proposta da Fenaban e prepararmos uma grande greve a
partir do dia 27”, ressalta Fabiano.
Segundo o
secretário-geral, o BB tem até a próxima segunda, dia 26, para
apresentar uma proposta que atenda as reivindicações específicas
do funcionalismo. “Se até lá o banco não apresentar nenhuma
proposta, vamos parar tudo em mais uma greve nacional. Mas, vale
destacar, que o Sindicato aposta no diálogo e espera que o BB agende
mais uma rodada de negociação o mais breve possível, como fez a
Fenaban, que volta a se reunir com os bancários na próxima sexta,
dia 23”, ressalta Fabiano.
A negociação – Na terceira
rodada de negociação, os representantes dos bancários inciaram o
debate reafirmando a necessidade de o banco apresentar propostas que
dialoguem com os eixos de reivindicações, como as melhorias no PCR
(Plano de Carreira e Remuneração), no PCC (Plano de Cargos
Comissionados), nas questões de saúde, condições de trabalho,
combate ao assédio moral e fim das terceirizações com a
contratação de mais bancários.
Em relação à carreira dos
bancários, é fundamental que o BB aumente o piso, melhore itens
como interstício na carreira A, redução do tempo para adquirir os
1095 pontos das letras da carreira de mérito, bem como pontuar todos
os funcionários incluindo os escriturários e caixas. É importante
também que a pontuação no mérito respeite o histórico funcional.
Os caixas devem ser efetivados após 90 dias na função e pertencer
à dotação das agências.
Uma reivindicação muito forte é
em relação à garantia de manutenção da função comissionada
para bancários que se afastem por licenças saúde e acidente de
trabalho. A proposta dos bancários é a volta das substituições de
funções, com os afastados retornando às suas funções após o
tratamento.
No que diz respeito à jornada de trabalho, os
bancários cobraram que as funções comissionadas tenham jornada de
6 horas e que os 15 minutos de pausa estejam incluídos na jornada,
como já ocorre em outros grandes bancos como Santander e Caixa
Econômica Federal.
Em relação à saúde e condições de
trabalho, além de estender a Cassi e a Previ para todos, os
bancários reivindicam melhorias no plano odontológico e extensão
aos aposentados.
Ainda sobre carreira, os trabalhadores
reivindicaram do banco que o Plano de Cargos Comissionados tenha
concursos internos e valorizam de comissões como dos fiscais e da
gerencia média, além de melhorias contra o descomissionamento
arbitrário. O banco apresentou dados comparando o número de
comissionados e a proporção de perdas de função. Entre 2009 e o
primeiro semestre de 2011, o coeficiente de descomissionamento
reduziu-se de 0,57 para 0,27. Para o Sindicato, a redução nos
descomissionamentos da ordem de 50% evidencia a importância da regra
da trava conquistada pelos bancários comissionados em 2010.
O
banco terminou a negociação dizendo que segue avaliando as
propostas apresentadas pelos bancários e que consultará o
Departamento de Controle das Estatais (Dest) sobre as possibilidades
de fazer qualquer proposta específica.