A greve dos bancários
entra no seu 11º dia nesta sexta-feira, 7 de outubro, mas até agora
não há qualquer contato dos bancos para retomar as negociações
com os sindicatos. Em nota enviada à imprensa, a Fenaban (Federação
Nacional dos Bancos) afirma que mantém a disposição para o
diálogo, mas ressalta: “Para que isso ocorra, é necessária uma
sinalização mais concreta das lideranças sindicais de que uma
eventual nova proposta não será rechaçada”.
Para a
presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, a Fenaban está apostando
no impasse e, ao contrário do que diz para a imprensa, não tem
vontade alguma de retomar as negociações com os representantes dos
trabalhadores. Ela destaca que o Comando Nacional dos Bancários
cobrou oficialmente a retomada do diálogo na terça-feira passada,
dia 4, mas até agora não houve nenhuma resposta da Fenaban.
“Então não há disposição para negociar, como afirmam
os bancos para a imprensa. Além do mais, querer uma sinalização
dos sindicatos de que uma nova proposta seria aprovada nas
assembleias é, no mínimo, estranho. Primeiro porque não há uma
nova proposta. Segundo, porque se os bancos apresentarem algum avanço
em relação à proposta anterior, ele precisa ser avaliado pelos
bancários, que decidirão de forma democrática nas assembleias se
aceitam ou não um eventual acordo. Não podemos garantir nada para a
Fenaban sem consultar os bancários e sem conhecer uma nova
proposta”, afirma Jaqueline.
>> Sindicato realiza protesto nesta sexta contra o Banco do Brasil
>> Rádio dos Bancários: Itaú intimida funcionários e discrimina clientes
>> Veja galeria de fotos da greve
Greve histórica – A greve
dos bancários continua crescendo e já é considerada a mais forte
dos últimos vinte anos. Em Pernambuco, a paralisação atinge 70%
das 543 agências bancárias do estado e todos os prédios
administrativos dos bancos. No Brasil, a categoria fechou 8.758
agências nesta quinta-feira, dia 6, em todos os 26 estados e no
Distrito Federal.
Os bancários entraram em greve no dia 27 de
setembro, depois de rejeitarem a proposta de reajuste de 8% feita
pela Fenaban na quinta rodada de negociações, que significa apenas
0,56% de aumento real. Os trabalhadores reivindicam reajuste de 12,8%
(aumento real de 5% mais inflação do período), valorização do
piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais
contratações, extinção da rotatividade, fim das metas abusivas,
combate ao assédio moral, mais segurança, igualdade de
oportunidades, melhoria do atendimento dos clientes e inclusão
bancária sem precarização, dentre outros itens.
Segundo
dados do Dieese, o setor financeiro apresentou o terceiro maior
crescimento na economia, comparando-se o segundo trimestre deste ano
com o mesmo período de 2010. A intermediação financeira cresceu
4,5% no período, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do país
atingiu 3,1%.