Henrique Oliveira era um profissional de referência dentro do Itaú. Colegas lhe procuravam para tirar dúvidas; tinha uma equipe motivada depois de conquistar o primeiro lugar no programa AGIR. O banco reservou para ele duas recompensas: a perda de sua saúde psíquica, depois de dois assaltos motivados pela falta de segurança; e a demissão. Na semana passada, a Justiça foi feita, pelo menos em parte. Por antecipação de tutela, ele conseguiu de volta o emprego, em ação movida pela advogada Márcia Santos, do escritório Galindo Falcão e Gomes, que presta serviço ao Sindicato.
Henrique veio promovido, de Maceió. Ainda estava sem uma locação definida quando sofreu o primeiro assalto, em seu primeiro dia de trabalho na agência Prazeres. A agência estava lotada e houve até tiros. O bancário começou a ter insônia, mas nada que pudesse ser comparado ao que ele viveria um mês depois, na agência Boa Viagem. “Foi um assalto feito por profissionais, com armamento pesado, até metralhadora. E eles sabiam tudo sobre o funcionamento da agência e horário de chegada do carro-forte”, lembra o bancário, que era gerente operacional.
O tesoureiro de sua agência, que já tinha histórico de pressão alta, teve que sair de licença logo depois da ocorrência. Henrique teve de segurar as pontas, tomando medicamentos para se manter sob controle. “Todos os procedimentos foram cumpridos. Não houve qualquer falha nossa”, diz o trabalhador. Por outro lado, sobram falhas por parte do banco.
A unidade não tinha porta de segurança. Estava em reforma, sem câmeras, sem alarme e, no dia do assalto, os cofres-fortes não podiam ser utilizados porque a porta havia sido trocada e os funcionários não tinham a nova chave. “Em apenas três anos, a agência Boa Viagem foi assaltada três vezes, todas com uso de violência. O Itaú, com seu frágil sistema de segurança, registra uma média de um assalto por mês em Pernambuco”, afirma a advogada Márcia Santos.