
A falta de segurança
bancária causou mais um assalto a banco em Pernambuco, o quarto do
ano. Desta vez, o alvo foi a agência do Bradesco da Encruzilhada, na
zona norte do Recife. Cinco homens armados invadiram a unidade, no
início da tarde desta segunda-feira, dia 16, e foram surpreendidos
pela polícia. Houve troca de tiros e um dos bandidos morreu no local
enquanto outro ficou ferido. Um cliente da agência também teria
sido atingido durante o tiroteio, mas a informação não foi
confirmada. O Sindicato se dirigiu imediatamente para o local para
prestar assistência aos bancários.
Segundo o secretário de
Saúde do Sindicato, João Rufino, os bancários estavam muito
assustados, inclusive duas funcionárias estavam em estado de choque
com a violência do assalto. Elas foram encaminhadas para o hospital.
“A agência estava lotada no momento do assalto. Muitos clientes e
bancários entraram em pânico e precisaram ser atendidos pelo Corpo
de Bombeiros. Assim que recebemos a notícia, fomos ao local para
prestar assistência aos funcionários e garantir o fechamento da
unidade para o atendimento psicológico das vítimas. Como o banco
não enviou o psicólogo até o final da tarde, a unidade permanecerá
fechada nesta terça até que os bancários sejam atendidos”,
ressalta.
Rufino destaca que o Sindicato também está
exigindo do banco a abertura imediata das Comunicações por Acidente
de Trabalho (CATs) para os bancários que presenciaram o assalto. “Lá
na agência Encruzilhada trabalham dois bancários que já passaram
por mais de seis assaltos a banco, sem nunca ter sido emitida nenhuma
CAT. Isso é um absurdo porque as CATs são muito importantes para
caracterizar uma doença ocupacional, caso o trabalhador venha a
desenvolver um transtorno psíquico por causa do trauma do assalto.
Muitas vezes, o transtorno só se desenvolve tempos depois e sem a
CAT não há como vincular o problema à causa”, explica
Rufino.
Até o início da noite, muitos funcionários da
agência ainda recebiam a assistência do Sindicato. “Agora, vamos
exigir do banco um psicólogo para acompanhar os trabalhadores que
presenciaram o assalto”, comenta Rufino, que ressalta: “O próprio
Bradesco é o culpado pelo assalto. Se o banco cumprisse a lei de
segurança bancária do Recife, a agência estaria mais protegida e
este assalto poderia ter sido evitado. O descaso dos bancos com a
segurança tem feito das agências um verdeiro convite para os
assaltantes”, diz.
Além de Rufino, estiveram na agência os
diretores do Sindicato Geraldo Times e Evilar Correia.
O
tiroteio – De acordo com o capitão da Polícia Militar, Roberto
Galindo, após receber a informação de que uma quadrilha estava
dentro da agência, a polícia decidiu aguardar o grupo do lado de
fora, para garantir a segurança dos clientes. Os bandidos foram
surpreendidos e resolveram trocar tiros com a polícia. Um deles
morreu no local e outro foi atingido por um tiro no ombro e levado
para o Hospital da Restauração. Um terceiro bandido, que não ficou
ferido, também foi preso e encaminhado para a Delegacia de Roubos e
Furtos, em Tejipió. Os outros dois criminosos conseguiram fugir.
Dois malotes de dinheiro foram recuperados pela polícia. Segundo
testemunhas, um terceiro malote teria sido levado pelos bandidos que
conseguiram fugir.
De acordo com o analista de rede Rodrigo
Leal, 28 anos, que estava dentro da agência no momento do assalto, a
quadrilha agiu com violência. “Eles estavam lá para matar ou
morrer”, disse Rodrigo. Ele é funcionário da empresa Líder
Telecon, que presta serviço ao Bradesco. No momento do assalto,
Rodrigo estava realizando um atendimento no primeiro andar do prédio.
“A sala fica exatamente em cima do cofre. Conseguimos bloquear a
porta com móveis, para evitar a entrada dos bandidos, e ficamos
ouvindo tudo que acontecia no prédio. Os bandidos obrigaram um
funcionário a abrir o cofre. Um deles chegou a atirar, mas a arma
falhou”, contou.