Caixa lidera corte de taxas de juros e Itaú está na frente entre privados

As taxas médias de juros de algumas das principais linhas de crédito
para pessoas físicas e empresas caíram de forma consistente desde março,
mas a intensidade dos cortes varia bastante entre os bancos até agora.
Do lado dos clientes, isso significa que há espaço para pesquisas e para
barganhas. Do ponto de vista dos investidores, que o impacto nos
resultados das instituições não será linear.


O

Valor fez um levantamento detalhado sobre os juros cobrados por
Banco do Brasil, Itaú, Caixa, Bradesco, Santander e HSBC em nove linhas
de crédito desde janeiro (os resultados podem ser vistos no site do
Valor). Os dados são do Banco Central e representam a taxa média efetiva
cobrada dos tomadores, incluindo encargos.


Eles diferem do dado consolidado divulgado pelo BC até maio porque a
autoridade monetária leva em conta o volume de crédito tomado em cada
banco. Se apenas um banco reduz a taxa e todos os clientes migram para
essa instituição naquele mês, o dado do BC apontará a taxa contratada
nesse banco específico, e não quanto os demais cobraram.


Conforme os dados levantados, a Caixa foi a mais agressiva nos cortes e
as reduções mais drásticas ocorreram no cheque especial e no capital de
giro pré. A taxa anual do cheque especial do banco estatal diminuiu de
151% para 65% ao ano entre março e junho, com o custo caindo em 57%. No
capital de giro, o juro foi derrubado de 25% para 14% ao ano na mesma
comparação, uma redução de 44%.


Já o Banco do Brasil liderou a baixa na taxa para o financiamento de
veículos, que diminuiu 33%, de 22,5% para 15% ao ano. O BB também foi o
que mais cortou a taxa do desconto de duplicatas, em 17%, e do capital
de giro com taxas flutuantes, concedido a grandes empresas, cujo custo
baixou 22%.


Entre os privados, o Itaú Unibanco fez os movimentos mais agressivos. A
taxa do banco para crédito pessoal caiu 20%, passando de 62% para 50% ao
ano. Na linha de veículos, o custo anual diminuiu 20%, saindo de 24,5%
para 19,5% ao ano. No Bradesco, as reduções ficaram em torno de 10% nas
linhas de crédito pessoal, veículos e capital de giro. A maior queda, no
entanto, foi no crédito para aquisição de bens para pessoa física, com o
custo diminuindo 17%, de 42% para 34,5% ao ano.


O maior corte feito pelo Santander ocorreu no financiamento a veículos,
em que a taxa anual caiu 13%, saindo de 22,9% para 19,9%. No crédito
pessoal e no capital de giro, a baixa ficou em 8% e 10%,
respectivamente. Segundo o diretor de produtos do banco de origem
espanhola, Nilo Carvalho, a queda menor que a dos rivais no crédito
pessoal e em veículos se explica. “Nossos juros caíram menos em algumas
linhas porque já tínhamos taxa mais barata que os concorrentes [do setor
privado]”, afirma.


Em relação ao cheque especial, em que o Santander cobra a maior taxa, de
222% ao ano, o executivo destaca a prática do banco, herdada do Banco
Real, de oferecer dez dias sem juros nessa modalidade. “Essa é uma linha
emergencial. E quando o cliente usa direito, paga a menor taxa do
mercado, que é zero.”


O HSBC reduziu as taxas muito levemente, e em cerca de metade dos casos
as margens ficaram praticamente estáveis quando se considera a queda da
Selic.


Ao se tentar capturar o impacto dos juros menores nos resultados dos
bancos, os dados indicam que o efeito será maior na Caixa, que tem a
União como única acionista. Mas apesar de reconhecer que os juros
menores afetam negativamente o resultado, o banco estatal confia que o
crescimento do volume das operações, o aumento da base de clientes e
cortes de custos vão permitir que seu lucro aumente em 2012, na
comparação com o resultado do ano passado. “Não repetirá a alta de quase
30% vista entre 2010 e 2011, mas o lucro deste ano deve mostrar
crescimento”, diz o superintendente nacional de contabilidade e tributos
da Caixa, Marcos Brasiliano Rosa.


Segundo ele, o volume de crédito comercial contratado por mês no banco
estatal subiu de R$ 11 bilhões no primeiro trimestre para R$ 15 bilhões
entre abril e junho, uma alta de 36%. “Estamos colhendo os frutos da
ousadia”, afirmou Rosa, que disse que a expansão supera a projeção
inicial quando os cortes de taxas começaram.


No caso de BB, Itaú e Bradesco, o efeito dos juros menores também deve
existir, mas deve ser menor, seja pela intensidade das baixas ou pelo
tamanho maior do estoque antigo de crédito comercial, contratado com
taxas maiores, que levará mais tempo para ser renovado. No Santander, o
impacto deve ser ainda menor, já que as reduções foram menos agressivas.


A despeito da queda de mais de 20% no preço de suas ações desde março, o
BB disse, em resposta por e-mail, que “os investidores entenderam como
essas iniciativas se reverterão na geração de resultados sustentáveis no
longo prazo”. Segundo o banco, a queda nas taxas foi uma decisão
estratégica, tendo em vista a queda da Selic e o aumento da competição,
“principalmente após o início da livre opção bancária para servidores
públicos”. Questionado sobre o motivo de as taxas não terem caído na
mesma intensidade que na Caixa, o BB afirmou apenas que “detém taxas
fortemente competitivas, posicionando-se, em muitas linhas, como a menor
do mercado”.


Procurados, o Itaú enviou nota dizendo que tem processo contínuo de
revisão de taxas de juros de empréstimos, com ajustes constantes para
adequá-las à realidade do mercado brasileiro, e que vai continuar
promovendo ajustes, “especialmente quando houver cortes na taxa básica
de juros da economia”.


Também em nota, o Bradesco disse que “as reduções de taxas realizadas
pelo Bradesco são recentes e, portanto, ainda não refletem efeito no
estoque de crédito”. O banco lembrou ainda que aqueles que optarem pelo
produto “Conta Fácil” contam com taxas de cheque especial de 3,95% ao
mês. O HSBC não quis se pronunciar.

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