CUT prepara Dia Nacional de Mobilização com marcha a Brasília para quarta

A CUT prepara uma grande Marcha a Brasília na próxima quarta-feira, 5 de
setembro. O Dia Nacional de Mobilização da CUT ocorrerá casada com a
grande mobilização da Confederação Nacional dos Trabalhadores em
Educação (CNTE) pela melhoria do ensino público.


A Marcha será uma oportunidade de levar às ruas da capital federal as
bandeiras de luta da classe trabalhadora: 10% do PIB para a Educação,
aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), redução da jornada de
trabalho, fim do fator previdenciário, contra a precarização do
trabalho, pela ratificação da convenção 158 da OIT, pela regulamentação
da Convenção 151 da OIT, e a Agenda do Trabalho Decente.


O novo secretário de Juventude da CUT, Alfredo Santos, destaca em
entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, que esta mobilização cobrará
do Executivo e Legislativo maior comprometimento com a agenda da classe
trabalhadora.

Portal do Mundo do Trabalho – De que forma a juventude pretende se somar as atividades do Dia Nacional de Mobilização da CUT?

Alfredo Santos

– No dia 5 de setembro, além da relação transversa
com as demais secretarias cutistas, será uma oportunidade para
potencializar a relação com todo o movimento sindical. A pauta do dia 5
começou tendo como principal bandeira os 10% do PIB para a Educação, uma
reivindicação conjunta de todo o movimento sindical ligado à educação
em conjunto com os movimentos da juventude como a UNE, a UBES, entidades
do movimento estudantil. Então, 10% do PIB para a Educação, aprovação
do PNE, são bandeiras que unem tanto a juventude trabalhadora como a
juventude do movimento estudantil, organizações civis, movimentos de
negros, mulheres.


Será uma grande oportunidade onde a CUT estará evidenciando as bandeiras
específicas da classe trabalhadora, como o fim do fator previdenciário,
redução da jornada de trabalho que atinge diretamente a juventude que
está nos postos de trabalho mais precarizados. Será também uma
oportunidade de toda a sociedade brasileira estar ocupando as ruas de
Brasília para garantir a aprovação do PNE e avanços de direitos para a
classe trabalhadora.

Em períodos de crise e recessão, os governos têm tentado jogar a
conta no colo da população e, por consequência, dos trabalhadores. A
juventude também sofre diretamente com corte nos empregos, falta de
oportunidades e retirada de direitos. Segundo a OIT, existem hoje cerca
75 milhões de jovens sem emprego em todo o mundo. Para você, qual o
caminho para combater essa política de austeridade e arrocho?


Hoje, principalmente na Europa, há um processo de socialização dos
prejuízos privados. A elite social se apropriou durante décadas do
lucro, da mão-de-obra, da mais valia do trabalhador, mas no momento de
crise socializa apenas os prejuízos. Isso é muito ruim.


Os governos dos países centrais têm agido no sentido de intensificar
esse processo de socialização dos prejuízos, porque estão financiando ou
muitas vezes assumindo parte das dívidas, desonerando e fazendo
renúncias fiscais aos bancos e grandes empresas. Renúncia fiscal esta
que nada mais é que uma forma transversa de transferir o dinheiro da
sociedade para os grandes empresários e banqueiros.


Até então, o governo brasileiro vinha adotando uma estratégia diferente
no sentido de intensificar e fortalecer o mercado interno para fazer um
contraponto à crise internacional num processo de ascensão do poder das
famílias onde quase 40% do PIB hoje já não depende da exportação, mas
principalmente do consumo interno.


Porém, as medidas mais recentes anunciadas pelo governo, que a CUT ainda
está avaliando com mais detalhes, vão na linha de aporte ao
empresariado, seja na redução de IPI, na desoneração da folha de
pagamento, com pouquisssimas ou quase nenhuma garantia de contrapartidas
sociais das empresas.


Isso nos preocupa muito. Quando falamos em desoneração, temos que pensar
também em temas como a desoneração e sustentabilidade futura da
Previdência. A juventude está preocupada com esta questão porque se você
desonera a folha hoje o Tesouro está arcando com esse prejuízo.
Significa dizer que a classe trabalhadora está arcando com isso. Mas
temos que pensar a longo prazo em como a gente se sustenta. É uma
preocupação, uma incógnita que a juventude vai procurar resolver atuando
junto às demais secretarias da CUT.

O primeiro mandato da Secretaria Nacional de Juventude foi marcado
por grandes avanços e conquistas. Qual o projeto para o próximo período?


Será uma continuidade de projeto, para além daquilo que a gente ainda
não conseguiu avançar. A primeira reunião do Coletivo Nacional de
Juventude deverá ocorrer na primeira quinzena de novembro, uma reunião
de planejamento onde, coletivamente, todos os membros poderão participar
e colaborar na construção do projeto para este mandato.


A gestão anterior fez um excelente trabalho no que tange à organização
de políticas publicas de juventude, de relações internacionais, dando
uma visibilidade para além do movimento cutista do que é e qual a pauta
da juventude da CUT.


Neste momento, pretendemos aprofundar um pouco mais as relações internas
do movimento sindical, a organização da juventude cutista junto aos
sindicatos, a participação da juventude nos processos de deliberação,
negociações coletivas, aquilo que nós construímos de organização e como
que a gente vai reporduzir isso em ação sindical, na prática, para
garantir igualdade de oportunidades e, principalmente, maior
possibilidade de conciliar trabalho com estudo que é hoje a maior
dificuldade da juventude trabalhadora.


A intenção é que este seja um mandato mais plural possível. Todas as
decisões serão deliberadas de forma conjunta dentro do Coletivo Nacional
A ideia é que o Coletivo seja dirigente de todo o movimento. Então, a
Secretaria passa a ter um papel muito mais de acompanhamento e muito
menos deliberativo. As deliberações e os nortes serão todos realizados
de forma conjunta entre os representantes do Coletivo.

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