Bancários esquentam a mobilização e se preparam para a greve

Às vésperas da greve,
os bancários de Pernambuco intensificaram a mobilização, com uma
série de atividades nesta quarta-feira, dia 12. Durante toda manhã,
o Sindicato percorreu as agências das avenidas Guararapes e Dantas
Barreto, na região central do Recife, para realizar reuniões com os
bancários e manifestações contra os bancos. Ao todo os
sindicalistas visitaram sete unidades nas duas avenidas.

Antes
do horário de abertura das agências a presidenta do Sindicato,
Jaqueline Mello, e os diretores Geraldo Times, Expedito Solaney,
Sandra Trajano, Azenate Albuquerque e Luiz Freitas – os três últimos
funcionários do Banco do Brasil -, estiveram na agência Dantas
Barreto do BB e realizaram uma reunião com os trabalhadores para
falar sobre a Campanha Nacional, discutir questões específicas dos
empregados do banco e reforçar o convite para assembleia desta
noite, que vai deflagrar a greve.

“A conversa foi muito boa.
Nós estamos fazendo um ciclo de reuniões com os funcionários do
Banco do Brasil, da Caixa e do BNB com o intuito de socializar as
informações acerca das negociações e também para ouvir dos
bancários o que eles estão pensando, quais são os maiores
problemas e a disposição para a greve. Além de reforçar o convite
para que eles participem das assembleias. A reunião de hoje foi
muito participativa na Dantas Barreto. Ontem já havíamos feito um
encontro na Caxangá e amanhã faremos a reunião no BB da
Guararapes. Isso também faz parte das nossas atividades de
mobilização permanente”, explica Jaqueline.

Após a
reunião no BB, a caravana do Sindicato visitou as agências do
Santander e da Caixa Econômica localizadas na avenida Guararapes.
Além da distribuição de material da campanha, a esquete teatral
ajudava a ilustrar os problemas vivenciados pelos bancários e
clientes no dia a dia das agências. A mesma fórmula se repetiu nas
unidades localizadas na Dantas Barreto, onde os dirigentes bancários
estiveram no Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander. Já no
banco Safra, também na Dantas Barreto, os sindicatalista realizaram uma reunião com os trabalhadores.

Apesar do
pouco movimento registrado nos locais percorridos pelo Sindicato, as
filas, a falta de funcionários, a demora no atendimento e os juros
cobrados nas operações de crédito monopolizaram as reclamações
dos clientes. A aposentada Maria José, cliente do Banco do Brasil da
Dantas Barreto, estava inconformada com os valores cobrados pelo BB
no empréstimo consignado na sua aposentadoria.

“Eu sou
aposentada por invalidez e fiz um empréstimo certa de que estava
fazendo pelo INSS. Mas agora eu descobri que o empréstimo tinha sido
feito pelo Banco do Brasil, que gerou uma dívida de R$ 5.900. Estou
numa situação muito ruim, porque eu já tenho um empréstimo na
Caixa e eu ganho R$ 620 de aposentadoria. Como vou viver?”,
reclamava a aposentada.

No Bradesco a reclamação da
Consultora de Beleza Cida Vasconcelos era com relação à venda de
produtos do banco atrelada às operações solicitadas pelos
clientes, o que é ilegal. “Você nunca faz uma operação no banco
sem que ele te cobre uma coisa extra. Por exemplo, se você for
solicitar um empréstimo consignado ou se for solicitar um cheque
especial tem que comprar algum produto do banco, seja um seguro de
casa, um seguro de vida, um pé quente. A gente sabe que isso são
metas que os bancos passam para o funcionário. Chega até a ser um
coisa constrangedora. Às vezes nem queremos comprar aquele produto
mas terminamos comprando porque nos sentimos pressionados a aceitar o
que está sendo oferecido”, denuncia Cida Vasconcelos.

Prontos
para a greve –
Desde o lançamento da Campanha Nacional, no
início do mês passado, o Sindicato vem intensificando a presença
nas agências por todo o estado. Segundo o diretor da entidade Gilvan
Santana, com o impasse nas negociação e a possibilidade de se
deflagrar um movimento grevista, o sentimento nas unidades visitadas
é de que os trabalhadores estão conscientes de que só a
mobilização pode quebrar a intransigência dos banqueiros.

“É
fácil perceber que os bancários estão dispostos ao enfrentamento.
Eles sabem que só com a mobilização de todos a proposta da Fenaban
pode melhorar. Essa disposição nós percebemos nas unidades que
percorremos desde o início da nossa campanha. Em todo lugar a
receptividade, o apoio e a interação com os colegas da base nos
indicam que o movimento grevista tende a ser muito forte este ano”,
analisa Gilvan.

O secretário de Bancos Privados do Sindicato,
Geraldo Times, também está otimista quanto à mobilização da
categoria. O dirigente avaliou positivamente as atividades da
campanha e atribuiu aos banqueiros a responsabilidade por uma
provável greve nacional dos bancários. “Se houver greve foi
porque os banqueiros quiseram, porque nós apostávamos na
negociação, no diálogo”, explica Geraldo.

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