O governo desmarcou,
mais uma vez, a reunião que havia sido agendada para esta
sexta-feira, dia 14, para discutir a proposta de isenção de Imposto
de Renda no pagamento da Participação nos Lucros e Resultados
(PLR).
O presidente da CUT, Vagner Freitas, critica a demora
do governo em formalizar o compromisso assumido durante as
comemorações do Dia do Trabalhador de isentar do imposto o
pagamento de PLR até R$ 6.000.
Vagner lembra que o
compromisso com o movimento sindical foi assumido publicamente e esse
valor até já havia sido absorvido pelo governo.
“O que
era apenas uma questão de acerto de detalhes se transformou em um
impasse e nós não estamos sendo informados sequer sobre o que está
impedindo o cumprimento da promessa feita pelo governo”,
protesta o dirigente da CUT.
O fato é que, após o ministro
Gilberto Carvalho, da Secretaria-geral da Presidência da República,
anunciar em nome da presidenta Dilma Rousseff, que o governo ia
atender a reivindicação da CUT e das demais centrais sindicais, foi
realizada apenas uma reunião com a equipe econômica que fez uma
proposta menor – isentar apenas PLR de até R$ 5.000 de imposto de
renda. Como os sindicalistas não aceitaram a proposta, menor do que
a que havia sido sugerida, todas as novas reuniões pré-agendadas
nos últimos meses foram desmarcadas sem muitas explicações.
Para
a CUT, é inadmíssivel o trabalhador ser tributado na PLR e os
empresários e acionistas serem isentos de imposto de renda sobre a
distribuição de lucros e dividendos desde 1995, devido a uma
mudança implementada por FHC.
“A isenção que nós
estamos defendendo favorece os trabalhadores e promove justiça
social e tributária”, declarou Vagner, que complementou: “FHC
era um governo apoiado pelo empresariado e sempre defendeu seus
aliados. Este governo, que é dos trabalhadores, precisa demonstrar
que está do lado da base social que o sustenta”.
Histórico
– No mês de março, cerca de 20 mil metalúrgicos do ABC
ocuparam a rodovia Anchieta e milhares de bancários retardaram a
abertura das agências na capital paulista para reivindicar o fim da
cobrança de IR na PLR.
Além de duas emendas à Medida
Provisória 556, dois projetos de lei dos deputados federais
Vicentinho e Ricardo Berzoini, ambos do PT-SP, também buscam a
isenção do IR na PLR.