Os empregos são a “pedra angular” nos países em desenvolvimento, pois
produzem mais benefícios que a própria renda. É o que diz um relatório
sobre desenvolvimento global do Banco Mundial.
Na medida em que o mundo tenta sair da crise econômica global, 200
milhões de pessoas, incluindo 75 milhões com menos de 25 anos, estão
desempregadas e mais 600 milhões de novos postos de trabalho precisarão
ser criadas nos próximos 15 anos para absorver a população em idade
laboral, sobretudo na Ásia e na África subsaariana, informa do
documento.
Segundo ele, o setor privado é o grande líder na criação de empregos,
responsável por 90% da criação dos postos de trabalho nos países em
desenvolvimento. Os governos, no entanto, tem um papel fundamental ao
assegurar as condições propícias e reduzir as dificuldades para a
criação desses empregos.
“Um bom emprego pode mudar a vida de uma pessoa e os empregos certos
podem transformar sociedades inteiras. Os governos precisam colocar os
empregos no foco central para promover a prosperidade e combater a
pobreza”, disse Jim Yong Kim, presidente do Grupo Banco Mundial.
O relatório defende uma abordagem em três etapas para ajudar os governos a cumprirem esses objetivos.
Primeiro, fundamentos sólidos (estabilidade macroeconômica, ambiente
propício aos negócios, capital humano e regime de direito) devem ser
implantados. Em seguida, as políticas trabalhistas não devem ser um
obstáculo à criação de empregos, mas oferecer acesso dos mais
vulneráveis à proteção social.
E, em terceiro lugar, os governos deveriam identificar que empregos
seriam mais benéficos para o desenvolvimento, levando em consideração o
contexto específico do país, além de remover obstáculos à criação desses
empregos pelo setor privado.
De acordo com o documento, os trabalhos com maiores retornos de
desenvolvimento são aqueles que fazem as cidades funcionarem melhor, que
ligam a economia para os mercados globais, protegem o ambiente,
promovem a confiança e engajamento cívico ou reduzem a pobreza.
Criticamente, esses empregos não são encontrado apenas no setor formal,
dependendo do país.
Entre as conclusões do relatório, está ainda que a pobreza diminui na
medida em que as pessoas conseguem vencer as dificuldades, que o emprego
capacita as mulheres a investirem mais em seus filhos e que a
eficiência aumenta quando os trabalhadores tornam-se melhores naquilo
que fazem e que os empregos mais produtivos surgem.
Além disso, o documento afirma que quase a metade dos trabalhadores em
países em desenvolvimento estão envolvidos na pequena agricultura ou em
negócios próprios, que, em geral, não têm salário fixo e benefícios.
O problema, para a maioria das pessoas pobres nesses países, é que o
ganho não é suficiente para garantir um futuro melhor, além de terem
condições inseguras de trabalho e falta de proteção pelos direitos
básicos, diz o relatório.