Banco Central vê bancos brasileiros resistentes à inadimplência

O aumento da inadimplência foi o principal responsável pela queda de 2
pontos percentuais na rentabilidade dos bancos no primeiro semestre.
Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado ontem pelo
Banco Central, o retorno sobre o patrimônio líquido do sistema bancário
caiu de 16,4% para 14,4%, na comparação do período de doze meses
encerrados em junho contra o encerrado em dezembro.


A parcela das despesas administrativas não coberta por receitas de
serviços também subiu, ajudando a encolher o lucro líquido dos bancos.
Mas foram as provisões para risco de calote que mais fizeram cair o
retorno sobre patrimônio líquido.


Nos 12 meses encerrados em junho, o reforço de provisões exigiu dos
bancos um gasto de R$ 87,7 bilhões, fluxo R$ 11,4 bilhões superior ao do
período de 12 meses encerrado em dezembro de 2011. A parte das despesas
administrativas não coberta por receita de serviços também cresceu,
para R$ 77,4 bilhões no acumulado até junho. Mas a variação, nesse caso,
foi menor, de R$ 5,8 bilhões.


Mesmo com crescimento nominal de resultado bruto de intermediação
financeira, o lucro líquido limitou-se a R$ 55,8 bilhões, caindo cerca
de R$ 3,5 bilhões em relação ao do período encerrado em dezembro.


A elevação no fluxo de despesas com provisão foi mais forte nos bancos
privados, cuja inadimplência é maior do que a dos bancos públicos. Só os
privados responderam por R$ 9,8 bilhões dos R$ 11,4 bilhões apurados de
variação. Medida pela participação de operações com pagamentos em
atraso há mais de 90 dias em relação ao saldo total da carteira, a
inadimplência do sistema financeiro já tinha subido de 3,2% para 3,6% no
ano passado.


No primeiro semestre seguiu avançando e fechou junho em 3,8% Nos bancos
privados, a trajetória foi pior. A inadimplência saiu de 4% para 4,9%,
quando comparados saldos de dezembro de 2010 e de 2011, e deu novo
salto, para 5,3%, no primeiro semestre deste ano.


Anthero de Moraes Meirelles, diretor de fiscalização do BC, disse que o
aumento do fluxo de despesas com provisão foi “passageiro, transitório e
circunstancial”.


A inadimplência e o risco de crédito teriam que piorar muito, no
entanto, para provocar descapitalização preocupante do sistema bancário
brasileiro, conforme os testes de estresse apresentados no relatório.


Num deles, o BC verificou que, se a taxa média de inadimplência subisse
subitamente para 11,6%, apenas 15 bancos, que detêm 20,8% do ativo total
do sistema, ficariam com Índice de Basileia inferior ao mínimo exigido.
O índice, que no Brasil precisa ser de 11% ou mais, mede a relação
entre o capital próprio da instituição, incluídas aí dívidas
subordinadas admitidas como tal, e o valor dos seus ativos ponderados
pelo risco.


O teste incluiu 138 instituições bancárias. Ninguém, mesmo
desenquadrado, ficaria insolvente. Para que surgissem instituições
insolventes (patrimônio líquido negativo) seria necessário que a
inadimplência chegasse a 17,5%. Mesmo nesse caso, aqueles cujo capital
próprio seria integralmente consumido pela necessidade de reforçar
provisões representariam apenas 2,7% dos ativos sistema. Seriam, assim,
poucos e pequenos.


Os resultados dos testes de estresse apresentados pelo Banco Central
mostraram também como ficaria o nível de capitalização do sistema
bancário brasileiro na hipótese de rebaixamento generalizado do risco de
crédito atribuído aos tomadores. Uma queda abrupta de dois níveis no
rating de todos os clientes, independentemente da classificação atual de
cada um, derrubaria o Índice de Basileia para 13,9%. Ou seja, mesmo
caindo, ficaria acima do mínimo exigido.


A capitalização mínima seria mantida porque há muita sobra atualmente.
Em junho, o IB do sistema bancário era de 16,4%, segundo o mesmo
Relatório de Estabilidade Financeira.

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