Chávez afirma que vai aprofundar o socialismo na Venezuela

Em sua primeira entrevista coletiva realizada após a vitória na
eleição venezuelana, o presidente Hugo Chávez afirmou nesta terça-feira
(09/10) que é necessário “aprofundar o socialismo” no país. Segundo o
líder, já no dia 10 de janeiro, quando será juramentado para o próximo
mandato, vai entregar o Plano Socialista da Nação para o período entre
2013 a 2019.


Animado, o presidente reeleito também pediu que a oposição faça parte
do processo e sugira aportes ao texto. “O novo governo de Chávez começa,
porque vamos fechar este ciclo e abrir um novo”. Essa é a segunda vez
em que Chávez sinaliza uma aproximação com o bloco opositor, pois já
havia feito esse apelo publicamente em seu discurso de vitória no Balcão
do Povo, no Palácio Mirafllores.

Agência Efe


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante entrevista coletiva em Caracas, no Palácio Miraflores


O líder socialista, que ocupa a Presidência desde 1999, obteve 55% dos
votos na eleição de domingo contra 44% de seu principal adversário,
Henrique Capriles, com um expressivo comparecimento de 81% do
eleitorado. O resultado foi prontamente aceito pela oposição.

Aproximação – Na coletiva, Chávez evitou chamar seus opositores de “majunches” ou
“esquálitos” (em tradução livre, “falsificados” ou “pouca coisa”). Ao
contrário, disse que sua conversa com Henrique Capriles, candidato
derrotado nas urnas nesse último domingo, foi “amena e positiva”.


Ele já havia confirmado o teor amistoso da conversa através do
microblog Twitter na última segunda-feira (08), quando postou:
“Acreditem: tive uma agradável conversa telefônica com Henrique
Capriles! Convidei (a oposição) à união nacional, respeitando nossas
diferenças!”.


O chamado ao diálogo promovido pelo presidente tem provocado
resultados. Horas mais cedo, o presidente da Fedecámara [principal
associação empresarial do país e tradicional opositora de Chávez], Jorge
Botti, disse que os empresários do país tomam como suas as palavras do
presidente. “Reconhecemos que estamos frente a um novo período
constitucional e uma vez superado o cenário eleitoral, comemoramos o
clima de diálogo que Chávez tem chamado”, disse.

Por outro lado, ele também pediu um debate “franco” com a oposição,
pedindo que esta abandone a visão “catastrofista” e reconheça as
conquistas de seu governo. “Nós certamente temos que mudar algumas
coisas, mas a oposição tem uma visão catastrófica do país. Eles rejeitam
quase tudo o que o governo faz”, afirmou.


Chávez também negou que o país esteja dividido. Disse que venceu em 20
dos 22 Estados do país (incluindo Miranda, governada até pouco tempo por
Capriles) e em 82% dos centros de votação. “Sempre vem isto de que a
Venezuela está dividida. Há 20 anos, aqui o diálogo era praticamente a
chumbo”, afirmou, lembrando que, antes de sua chegada ao poder a classe
política havia se acostumado ao “Pacto de Punto Fijo”, que estabeleceu
em 1958 um revezamento no poder dos partidos Ação Democrática e Copei,
que “impunham as posições burguesas ao povo”.


Para ele, a imprensa não questiona quando governos europeus vencem por
margens apertadas. “Se a Venezuela está dividida, os Estados Unidos,
onde ‘meu candidato Obama’ está empatado com a direita, também está
dividido”, disse, arrancando risos dos presentes.


O chefe de Estado foi novamente perguntado se haveria falta de
democracia na Venezuela, no que respondeu enfaticamente: “Parte da mídia
continua falando na ditadura da Venezuela, no tirano Chávez”, disse.
“Bom, temos uma democracia aqui, e isso voltou a ser reafirmado e
ratificado, um sistema totalmente transparente, rápido e eficiente . Se
você quiser ver uma democracia vigorosa e sólida, venha à Venezuela. Foi
um dia perfeito [o da eleição]”.


“Por que é tão difícil dizer para o mundo que aqui é uma democracia?”,
perguntou, citando citou uma frase do ex-presidente do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva, que afirmou na Venezuela haver “excesso de
democracia”.


Sobre seus primeiros projetos anunciados será a fusão entre o
Ministério do Despacho com um outro ainda não definido para
acompanhamento e seguimento de projetos. Segundo Chávez, o grande
problema do seu governo hoje é “dar segmento a projetos”. A fusão, em
sua opinião, “elevaria a eficiência do nosso estado”.

Cenário internacional – Chávez defendeu o Mercosul, afirmando que existe um conjunto de
projetos que deve ser relançado com o objetivo de impulsionar o país no
bloco econômico. Chávez afirmou que os presidentes do Equador, Rafael
Correa e da Bolívia, Evo Morales, por várias vezes demonstraram
interesse de incorporarem esses países ao bloco.


O presidente também afirmou que continuará a apoiar o governo do
presidente Bashar al Assad, na Síria. “Como não apoiar o governo de
Bashar al Assad se é o governo legítimo da Síria? Quem apoiar, os
terroristas, que pedem um conselho de transição enquanto andam matando
gente por todos os lados? (…) “Não sei como países europeus recebem
terroristas para reuniões”, questionou.


Sobre a crise alimentar mundial, Chávez citou um exemplo de uma ajuda
internacional da Venezuela a Moçambique, cujo aporte de cinco milhões de
dólares teria, segundo ele, mudado  a realidade de uma comunidade
local. “Foram construídos dois poços para tirar água em benefício da
alimentação e do crescimento da população”, disse. “Quanto poderiam
fazer os Estados Unidos e os países mais ricos do mundo através da
cooperação para produzir alimentos?”, questionou.

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