
A Contraf-CUT, por indicação da UNI Finanças, participou na manhã desta
sexta-feira (9) da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção(IACC, na
sigla em inglês), sob o tema “Mobilizando pessoas: conectando agentes de
mudança”. Trata-se do mais importante evento dedicado ao debate e à
troca de experiências referentes ao assunto, reunindo chefes de Estado,
representantes de governos, parlamentares e sociedade civil. A
iniciativa ocorre em um país diferente a cada dois anos.
Organizado pela Transparência Internacional, a 15ª Conferência está
acontecendo no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a
participação de cerca de 1.500 pessoas de mais de 130 países.
Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT, foi um dos
painelistas, representando os trabalhadores do setor financeiro. Ele
participou do painel “Transparência e Responsabilidade: construindo uma
coalizão diversa para a mudança”, cujo moderador foi o sul-africano Kumi
Naidoo, representante do Greenpeace Internacional.
Luta por transparência – O dirigente sindical saudou os organizadores e participantes, lembrando
que o evento projeta a mesma diversidade do Fórum Social Mundial, que
nasceu em Porto Alegre, em 2001. Ele destacou a importância do combate à
corrupção e defendeu a transparência e o fortalecimento da democracia.
“Os bancários estão fazendo a lição de casa quando realizam anualmente
uma campanha nacional de forma democrática, transparente e
participativa”, disse Ademir.
“Este ano, comemoramos 20 anos da convenção coletiva de trabalho, que
garante os mesmos direitos básicos para trabalhadores de bancos públicos
e privados em todo Brasil e contribui para a redução das desigualdades e
a distribuição de renda”, afirmou. “Essa experiência vitoriosa foi
apontada nesta semana pelo ex-presidente Lula como referência para os
metalúrgicos de todo país”, acrescentou.
O diretor da Contraf-CUT frisou também a luta dos bancários por
transparência no sistema financeiro, citando a importante parceria com o
Dieese. “Com as estatísticas e pesquisas do Dieese, a partir das
análises dos balanços dos bancos, os bancários contam com valiosas
ferramentas para sustentar a mobilização por emprego, aumento real,
distribuição dos lucros, igualdade de oportunidades e mais investimentos
na saúde e na melhoria das condições de trabalho”, destacou.
“Hoje sabemos, por exemplo, que os maiores bancos gastam em média apenas
6% dos lucros em despesas de segurança, o que mostra que eles pouco
investem na proteção da vida das pessoas”, apontou Ademir. “Sabemos
também o abismo entre a remuneração dos diretores dos bancos e o piso
salarial dos bancários”, acrescentou.
Defesa dos consumidores – Ademir destacou também a importante parceria com o Instituto Brasileiro
de Defesa do Consumidor (Idec), cujo diretor Marcos Pó foi também um dos
painelistas. O sindicalista citou a publicação “Os bancos e você – como
se defender dos abusos dos bancos”.
O diretor da Contraf-CUT lembrou também o recente lançamento do Guia de
Bancos Responsáveis (GBR), que traz a avaliação dos bancos, bancários e
consumidores. “A gente observa que responsabilidade social é peça de
marketing dos bancos, pois ainda não se traduziu em ações concretas em
favor dos trabalhadores, clientes e sociedade”, frisou.
Regulação do sistema financeiro – O dirigente da Contraf-CUT focou ainda a luta pela regulação do sistema
financeiro. “A sociedade não pode pagar a conta da crise financeira,
como está acontecendo hoje em vários países europeus, prejudicando
trabalhadores e aposentados”, disse.
Ademir chamou a atenção para a luta da UNI Finanças em todo mundo por
mecanismos de controle e regulamentação do sistema financeiro
internacional e a adoção do imposto sobre transações financeiras, além
da mobilização por acordos marcos globais.
Ele ressaltou, por fim, a luta dos bancários no Brasil pela realização
da Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro. “Queremos discutir o
papel dos bancos, o valor dos juros e tarifas, o montante dos bônus dos
executivos, a ampliação do crédito, entre outros pontos. Precisamos
combater a ganância dos bancos e colocá-los a serviço dos interesses da
sociedade, no rumo do desenvolvimento econômico e social, para que
tenhamos um mundo mais justo e solidário”, defendeu.
Ações integradas – O painel contou ainda com os painelistas Cobus de Swardt, diretor da
Transparência Internacional, e a idiana Aruna Roy, da MKSS Right to
Information. Vários participantes também se manifestaram, focando
questões como a necessidade do acesso à informação, da democratização da
mídia e do debate dos problemas globais, como o meio ambiente e o
futuro do planeta.
“Há muitas ideias buscando alianças. É preciso trabalhar de forma
integrada e na diversidade e entender o aparato ideológico do Estado que
antes usava a repressão e hoje usa a mídia”, apontou Kumi. “A corrupção
nos países ricos é mais inteligente, enquanto noutros é mais obscena”,
comparou.
O representante do Greenpeace defendeu a importância de “juntar todos os
atores sociais e usar o poder para trazer as vítimas para o centro dos
debates”.
Quatro dias de debates – A 15ª Conferência iniciou na quarta-feira (7) e termina neste sábado
(10). A abertura contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Ela
destacou que o combate à corrupção no Brasil é uma prática de Estado
que possui mecanismos sólidos, como uma Polícia Federal atuante, órgãos
como a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União,
além de uma imprensa livre.
A presidenta ressaltou a importância dos mecanismos de transparência do
governo. “Queria destacar a recente aprovação da Lei de Acesso à
Informação que acreditamos ser uma das mais avançadas do mundo porque
sujeita todos os entes ao amplo acesso aos dados da gestão, dos gastos,
dos históricos”, disse.
Dilma também defendeu aumento da regulação e transparência das
transações financeiras internacionais. Segundo ela, sem o devido
controle, esses fluxos estão sujeitos a manipulações com risco para os
empregos dos que vivem nos países mais pobres.
Ela disse ainda que o discurso anticorrupção deve valorizar a ética e o
conflito democrático. “[Ele] não pode se confundir com o discurso da
antipolítica ou antiestado que serve a poucos interesses. Deve, ao
contrário, valorizar a ética e o conflito democrático, deve conhecer o
papel do Estado. O Estado é destinatário privilegiado das mobilizações
por transparência”, disse Dilma.
A presidenta ressaltou a importância da transparência nos governos para
aprimorar a governança e a gestão. “Quanto maior a transparência, maior a
possibilidade de que o dinheiro público se destine ao que são os
programas necessários.”