
Em audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho, solicitada
pela Contraf-CUT e realizada na manhã desta quarta-feira (12), em
Brasília, a procuradora regional do Trabalho da 10ª Região, Ana Cristina
Tostes Ribeiro, solicitou ao Santander o detalhamento das informações
sobre as demissões efetuadas em novembro e dezembro em todo país, bem
como cópia das informações prestadas mensalmente ao Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) em 2012.
O prazo concedido ao banco foi de 24 horas, quando os documentos
apresentados serão disponibilizados para a Contraf-CUT se manifestar
igualmente no mesmo prazo.
Após esse período de 48 horas, a procuradora examinará os documentos
juntados pelas duas partes para então definir um posicionamento e as
medidas que serão tomadas no âmbito do MPT. Um das possibilidades é o
ajuizamento de uma ação civil pública contra o Santander.
O presidente e o secretário de Organização do Ramo Financeiro da
Contraf-CUT, Carlos Cordeiro e Miguel Pereira, respectivamente,
juntamente com a funcionária do Santander e diretora do Sindicato dos
Bancários de Brasília, Rosane Alaby, denunciaram o processo de demissões
em massa no banco espanhol neste final de ano, às vésperas do Natal.
Cordeiro, também presidente da UNI Américas Finanças, ressaltou que o
Santander obtém lucros astronômicos no Brasil, que representam 26% do
resultado mundial do banco. “Na Espanha, onde há crise, não há
demissões, nem em outros países da América, mas aqui o banco promove
dispensas em massa, o que é totalmente injustificável e significa um
enorme descaso com o emprego e o desenvolvimento econômico e social do
país”, frisou.
O advogado do Santander repetiu o discurso do banco de que as demissões
ocorridas estão “dentro da normalidade”, informando que foram mil
dispensas em dezembro e que não haverá outras nesse mês.
A Contraf-CUT defendeu a reversão de todos os desligamentos ocorridos em
dezembro e cobrou a abertura de um processo de negociação sobre emprego
com o Santander.
“Não foi marcada nova audiência de mediação no MPT por causa da posição
intransigente do Santander, que não aceitou discutir a reversão das
dispensas efetuadas”, salienta Miguel.
Também participou da audiência o assessor jurídico da Contraf-CUT, Sávio Lobato.