Projeto do Sindicato resgata história de lutas dos pernambucanos

No próximo 06 de
março, a Data Magna do Estado de Pernambuco não passará em branco.
Palestra e debate no Sindicato dá início ao projeto que pretende
trazer à tona os fatos da história do estado que foram “esquecidos”
pelos livros didáticos. A ideia partiu de um grupo de escritores e
pesquisadores, e foi abraçada pela diretoria do Sindicato: a cada
mês, uma história diferente. Na abertura, o escritor Paulo Santos
fala sobre a Revolução de 1817.

Paulo
Santos de Oliveira é autor do premiado romance histórico A
Noiva da Revolução
(Comunigraf, 2008), já
em sua quarta edição no Brasil, e também publicado em Portugal e
em Cuba. O livro retrata, de forma romanceada, a revolução de 1817
que, segundo o historiador Oliveira Lima, é “a única que merece o
nome de revolução, no Brasil”. Cinco anos antes do sete de
setembro, no dia seis de março de 1817, ela eclodiu no Recife e deu
aos brasileiros, pela primeira vez, governo próprio, constituição,
bandeira, exército, marinha, embaixador no exterior.

Das
Alagoas ao Ceará pôs a gente do povo em pé de igualdade com os
poderosos e anunciou o fim da escravidão. A repressão foi dura:
1.600 mortos e feridos; 800 exilados… sem falar no desmembramento
do estado, que perdeu parte de seu território, incluindo o atual estado de Alagoas e parte da Bahia.

Apesar
da sua importância, a Revolução de 1817 tornou-se um episódio de
conhecimento restrito aos estudiosos.
Bem esmiuçada nos manuais acadêmicos, e
já tendo sido festejada nacionalmente, findou,
entretanto, apagada da memória popular.

HISTÓRIA
ESQUECIDA
– Este “esquecimento”
histórico não se restringe à Data Magna. “Tem
um escritor francês, chamado Tocqueville, que afirmava: quando o
passado não ilumina o futuro, o espírito vagueia nas trevas. Em
Pernambuco, é como se toda a população tivesse nascido ontem.
Temos orgulho de nossa terra, mas poucos sabem dizer o porquê”,
diz Paulo Santos.

A
ideia do projeto é, justamente, recuperar essa memória: “Aqui
tivemos o
maior movimento de resistência popular que já houve no Brasil, a
República dos Palmares, no século XVII; e, no século XVIII, o
primeiro ensaio de independência do colonialismo europeu empreendido
nas Américas, a chamada “Guerra dos Mascates”. Na primeira
metade do século XIX houve quatro rebeliões sucessivas; na segunda
metade, grandes movimentos
abolicionistas
e republicanos; assim como, no século XX, movimentos como as Ligas
Camponesas (1950-60), que colocaram a questão agrária na agenda da
política nacional e tiveram repercussão internacional”, lembra o
escritor.

Para
os meses de abril e maio, já estão agendadas palestras com o
escritor Urariano Mota, autor do romance Soledad
no Recife

(Boitempo, 2009), que relata o sequestro e assassinato de um grupo de
jovens militantes de esquerda, membros da Vanguarda Popular
Revolucionária (VPR) no período da ditadura; e o jornalista Vandeck
Santiago, autor de premiado caderno especial sobre a presença
norte-americana no Nordeste nos anos 60.

Evento:
A história política de Pernambuco em debate

Data:
06 de março, com palestra do escritor Paulo Santos de Oliveira sobre
a Revolução de 1817

Horário:
19 horas

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi