Após
dois meses de pausa, o ciclo de palestra sobre a história de
Pernambuco será retomado no dia 7 de agosto – primeira
quarta-feira do mês. O personagem da vez é o general Abreu e Lima,
destacado
participante das lutas latino-americanas pela independência – seja
nas revoluções pernambucanas de 1817 e 1824, seja na Venezuela –
ao lado de Simón Bolívar. Quem fala sobre o tema é o escritor
Paulo Santos, autor do livro “O general das massas”.
Paulo
Santos foi também quem inaugurou o ciclo de palestras no Sindicato,
em março deste ano, com debate sobre a revolução de 1817. Além do
livro sobre Abreu e Lima, ele é autor do romance “A noiva da
revolução”, que relata os fatos ocorridos em 1817.
Os
debates em torno da atividade histórica que tem Pernambuco e o
Nordeste como protagonistas é uma iniciativa do Sindicato dos
Bancários de Pernambuco, em parceria com a CUT Pernambuco e o Grupo
Typhis, que reúne escritores e jornalistas com trabalhos publicados
sobre a tema.
No segundo mês de debates, o tema foi a
ditadura
militar e quem falou foi o escritor Urariano Mota, a partir do
romance de sua autoria, “Soledad
no Recife”. E, em maio, o jornalista e escritor, Vandeck Santiago
falou sobre a presença norte-americana no Nordeste.
Por conta
das fortes chuvas de junho e, no mês seguinte, dos vários protestos
que tomaram conta da cidade, o projeto acabou sofrendo uma pausa.
Será retomado no dia 7, com conversa sobre Abreu e Lima.
O
personagem
–
O
general foi participante de
destaque nas
lutas latino-americanas pela independência e pela democracia.
Encarcerado em Salvador durante a Revolução de 1817, o então jovem
capitão artilheiro foi obrigado a assistir ao fuzilamento do seu
pai, o Padre Roma, emissário da República Pernambucana à Bahia.
Fugiu da prisão e seguiu para a Venezuela, onde se alistou no
exército de Simón Bolívar, ao lado de quem lutou durante 12
anos.
De batalha em batalha, Abreu e Lima percorreu vasto
território, que ajudou a libertar da dominação espanhola – do
atual Panamá à Venezuela, passando pelo Equador, Peru, Bolívia e
Colômbia. Seu desempenho nas lutas tornou-o herói naqueles países,
além de lhe valer numerosos ferimentos, condecorações e o posto de
general. Na verdade, alcançou lugar no seleto rol dos “Libertadores
das Américas”, tornando-se o brasileiro que mais se distinguiu no
exterior.
Todos os feitos de Abreu e Lima, entretanto, não
foram suficientes para tornarem-no conhecido dos brasileiros, ou até
mesmo dos pernambucanos. Ainda que ele seja nome de município da
Região Metropolitana do Recife e padrinho da refinaria de petróleo,
atualmente em construção pela Petrobrás em Ipojuca, Mata Sul do
estado.
O pernambucano também desenvolveu intenso trabalho
como jornalista, polemista, ensaísta e historiador. Chegou a
publicar três jornais, além de publicar uma História do Brasil.
Polemizou com Hipólito da Costa, em defesa da Revolução de 1817,
nas páginas do Correo del Orinoco, da Venezuela, e com ninguém
menos do que o francês Benjamim Constant, em defesa de Bolívar, no
Courrier Français. E também é autor de O Socialismo, provavelmente
o primeiro tratado sobre o tema jamais escrito por um
latino-americano.
Abreu e Lima foi um combatente até os seus
últimos dias. Embora católico praticante, era, ao mesmo tempo, um
ferrenho defensor de todas as liberdades, inclusive a religiosa. Já
com 74 anos se pôs a escrever a favor do ecumenismo cristão,
apoiando o direito dos protestantes celebrarem seus cultos e chamando
contra si a ira dos prelados conservadores, com quem passou a
polemizar através da imprensa.
A morte o colheu em meio a
essa discussão, sem que ele abjurasse das suas ideias, e o bispo de
Olinda, D. Francisco Cardoso Ayres, negou-lhe sepultura em
campo-santo brasileiro. Seus restos só puderam ser inumados no
Cemitério dos Ingleses, no Bairro de Santo Amaro, debaixo de uma
cruz celta, onde repousam até hoje.