Os bancários das
Américas realizam nesta quarta-feira (7) uma Jornada Internacional
de Luta no Santander, com manifestações em todos os países onde o
banco espanhol atua. O objetivo é denunciar o desrespeito aos
direitos dos funcionários, a pressão das metas abusivas para venda
de produtos, o assédio moral e o uso de práticas
antissindicais.
Em Pernambuco, o Sindicato realizou protestos
no Santander durante o lançamento da Campanha Nacional dos Bancários
(leia aqui). Um material específico denunciando os problemas
enfrentados pelos trabalhadores do banco inglês foi distribuído nas
agência do Santander visitadas esta manhã.
>> Leia
aqui
a edição brasileira do material
Segundo o
secretário de Administração do Sindicato e funcionário Santander,
Epaminondas Neto, as manifestações em Pernambuco atingiram três
agências do Santander. “Lançamos a Campanha Nacional aqui em
Pernambuco, mas, como hoje é o Dia Internacional de Lutas contra as
arbitrariedades do banco Santander, aproveitamos e fomos em três
agências, denunciando os abusos e o assédio moral que acontece hoje
dentro da empresa. Esperamos que essa Campanha Nacional que começa
hoje,
juntamente com essa
luta que a gente enfrenta com o Santander, dê frutos e as condições
de trabalho melhorem”, diz Epaminondas.
O Dia Internacional
de Lutas foi definido pela Rede Sindical do Santander, durante
reunião promovida pela UNI Américas Finanças e Coordenadora das
Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS) no dia 9 de maio, em Assunção.
Os trabalhadores cobram respeito, diálogo social e valorização no
trabalho, com direito de sindicalização, negociação coletiva,
liberdade de expressão, igualdade de oportunidades e fim das
perseguições e discriminações. É inaceitável a utilização de
quaisquer medidas que afrontem a organização e a mobilização dos
trabalhadores e violem normas da Organização Internacional do
Trabalho (OIT).
“Trata-se de mais uma jornada
internacional, que visa fortalecer a unidade de ação das entidades
sindicais nas Américas e reforça a luta por um acordo marco global,
buscando garantir direitos básicos e fundamentais para os
trabalhadores do Santander em todos os países do mundo”, afirma
Mário Raia, secretário de Relações Internacionais da
Contraf-CUT.
A mobilização ocorre após o dia internacional
de luta contra as práticas antissindicais, realizado no último dia
23 de maio. Na ocasião, foi denunciada principalmente a ação
judicial movida pelo banco no Brasil contra entidades sindicais que
fizeram protestos no dia da decisão da Copa Libertadores, em 2011.
Novas ações foram ajuizadas posteriormente para tentar calar a voz
dos trabalhadores. “Houve também manifestações contra a
repressão do Santander à organização sindical dos funcionários
do Sovereign Bank nos Estados Unidos, onde até hoje não há
sindicatos de bancários”, destaca o dirigente da
Contraf-CUT.
América Latina: 51% do lucro do Santander –
O Santander lucrou 2,255 bilhões de euros no primeiro semestre
deste ano, um crescimento de 29% em relação ao mesmo período do
ano passado. A América Latina participou com 51% do lucro mundial:
Brasil (25%), México (12%), Chile (6%) e demais países – Argentina,
Uruguai, Peru e Porto Rico (8%). O restante veio do Reino Unido
(13%), Estados Unidos (12%), Espanha (8%), Alemanha (5%), Polônia
(5%), Portugal (1%) e Resto da Europa (5%). “Se a maioria do
lucro do banco vem da América Latina, os bancários daqui não podem
continuar sendo tratados como se fossem de segunda classe”,
defende Mário Raia.
O Santander Brasil obteve lucro líquido
de R$ 2,929 bilhões no primeiro semestre de 2013. Apesar disso, o
banco seguiu demitindo trabalhadores e eliminou 2.290 empregos. Nos
últimos 12 meses, o corte foi de 3.216 postos de trabalho. “A
extinção de vagas não se justifica. Esse modelo de gestão,
baseado na redução de custos, através da rotatividade e da
extinção de vagas, piorou ainda mais as condições de trabalho,
sobrecarregando e adoecendo muitos colegas e prejudicando o
atendimento e a fidelização de clientes”, frisa Ademir
Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT. Não é à toa
que o banco liderou pelo quinto mês consecutivo, em junho, o ranking
de reclamações do Banco Central.
Os bancários reivindicam o
fim das demissões e da rotatividade, mediante a aplicação da
Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que
proíbe dispensas imotivadas. “Cobramos também mais
contratações para acabar com a sobrecarga de trabalho e garantir
atendimento de qualidade aos clientes e à população, bem como a
realocação dos funcionários atingidos por fusões de agências ou
extinção de funções”, salienta Ademir.
Os
trabalhadores querem ainda o fim das terceirizações no banco e
defendem igualdade de oportunidades na contratação, na remuneração
e na ascensão profissional, sem quaisquer discriminações.
Milhões
para altos executivos no Brasil – Enquanto corta empregos
para reduzir custos, o Santander Brasil aprovou um aumento de 37,5%
na previsão da remuneração global anual de 2013 para o alto
escalão do banco na assembleia dos acionistas, realizada em 29 de
abril, em São Paulo. Os 46 diretores estatutários ganharão este
ano R$ 364,1 milhões e os 9 membros do Conselho de Administração,
R$ 7,7 milhões. Dois acionistas minoritários votaram
contra.
Segundo cálculos do Dieese, cada diretor vai receber,
em média, R$ 5,6 milhões por ano, o que corresponde a 118,4 vezes o
que vai ganhar um caixa no mesmo período. Enquanto isso, os milhares
de funcionários possuem salários que estão entre os menores do
sistema financeiro e sem expectativas de carreira, diante da falta de
um Plano de Cargos e Salários (PCS) e das distorções existentes
nos cargos de mesma função. “Trata-se de uma tremenda
injustiça no banco que precisa acabar”, enfatiza Ademir.