O Comando Nacional dos
Bancários e a federação dos bancos (Fenaban) deram início nesta
quinta-feira, dia 8, às negociações da Campanha 2013. Os debates
começaram pelas reivindicações sobre saúde, condições de
trabalho e segurança. A primeira rodada de negociações continua
nesta sexta-feira, dia 9.
Segundo a presidenta do Sindicato,
Jaqueline Mello, as negociações começaram justamente pelos pontos
que mais preocupam os bancários no dia-a-dia: a pressão pelas metas
e o assédio moral que tanto adoecem a categoria. “Na primeira
reunião, apresentamos aos bancos dados assustadores que mostram o
quanto os bancários estão adoecendo por conta da falta de condições
de trabalho”, diz Jaqueline.
Só no ano passado, mais de 21
mil bancários foram afastados do trabalho com problemas de saúde.
Cerca de 25% desses trabalhadores sofriam com transtornos psíquicos,
que estão diretamente relacionados à pressão diária pela venda de
produtos e o ritmo estressante de trabalho. Outros 27% se afastaram
em razão de lesões por esforços repetitivos (LER/Dort).
“E,
somente nos primeiros três meses deste ano, 4.387 bancários se
afastaram por adoecimento, sendo 25,8% por transtornos mentais e
25,4% por LER/Dort”, explica Jaqueline, que representa Pernambuco
no Comando Nacional dos Bancários, responsável pelas negociações
com a Fenaban.
Os representantes da Fenaban voltaram a repetir
o discurso de todos os anos: que os sindicatos não podem discutir
metas porque isso iria interferir na gestão dos bancos. O Comando
Nacional dos Bancários, por sua vez, deixou claro que o fim da
pressão por metas é a principal preocupação da categoria, que
exige nesta Campanha uma proposta que altere o quadro atual.
A
proposta para acabar com as metas abusivas apresentada pelos
bancários estabelece que os bancos devem garantir a participação
de todos os seus trabalhadores na estipulação de metas e
respectivos mecanismos de aferição, sendo obrigatoriamente de
caráter coletivo (e não individual) e definidas por departamentos e
agências. Deve-se ainda levar em consideração o porte da unidade,
a região de localização, o número de bancários, a carteira de
clientes, o perfil econômico local, a abordagem e o tempo de
execução das tarefas. Os bancários reivindicam ainda o fim da
cobrança diária das metas e que elas deixem de ser mensais e passem
a ser semestrais.
O Comando Nacional também informou que a
cláusula 35 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vem sendo
sistematicamente desobedecida por todos os bancos. A cláusula,
conquistada em 2011, proíbe a divulgação das listas (“rankings”)
de performance no cumprimento de metas, usadas para pressionar e
assediar os bancários. A Fenaban se comprometeu a reorientar pelo
respeito e cumprimento da cláusula, de forma que os rankings não
sejam mais publicados.
Segurança – O
conceito geral sobre o que significa segurança para a categoria foi
deixado claro pelo Comando Nacional dos Bancários: a preservação
da vida de trabalhadores e clientes. Os negociadores da Fenaban
disseram concordar com esse princípio, ao que os representantes dos
trabalhadores rebateram com o fato de que uma parcela cada vez menor
do lucro é investida em segurança.
Os números da pesquisa
feita pelas confederações de bancários e vigilantes foram
ressaltados na mesa de negociação, alertando para a ampliação dos
casos de roubo a bancos e da violência contra os trabalhadores,
principalmente os sequestros dos bancários que portam chaves de
cofres e agências. Segundo a pesquisa, no primeiro semestre deste
ano, 30 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos.
Foi
também discutido o andamento do projeto-piloto de segurança
bancária em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. A lista das
agências, onde serão instalados os equipamentos previstos, está
sendo concluída e, depois, serão definidos os nomes do grupo de
acompanhamento e agendada a primeira reunião de
trabalho.
Negociações continuam – As negociações
sobre saúde, condições de trabalho e segurança bancária
continuam nesta sexta-feira, dia 9, às 9h30. A segunda rodada de
negociação também já foi marcada, para os dias 15 e 16, quando
serão discutidas as reivindicações sobre emprego.