Bancos rejeitam reivindicações e bancários marcam Dia de Luta para a próxima quinta-feira

Os
bancos continuam dizendo “não” para todas as reivindicações
dos bancários. Na abertura da segunda rodada de negociação da
Campanha 2013, realizada nesta quinta-feira, dia 15, em São Paulo,
os representantes da Fenaban rejeitaram as demandas sobre o fim das
metas abusivas, o combate ao assédio moral e à insegurança. Em
relação ao emprego, os bancos recusaram o fim das demissões
imotivadas e da rotatividade e o respeito à jornada de 6 horas. As
negociações continuam nesta sexta-feira, dia 16, às 9h30.

Para
a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, a postura dos bancos na
mesa de negociações tem sido muito ruim e só a mobilização dos
bancários será
capaz de garantir avanços nos debates. “A postura dos bancos é de
total intransigência. Por isso, vamos esquentar a mobilização dos
bancários para pressionar os bancos e
garantir que as próximas
reuniões sejam produtivas”, comenta Jaqueline, que representa
Pernambuco no Comando Nacional dos Bancários, responsável pelas
negociações com os bancos.

Jaqueline destaca que, na próxima
quinta-feira, dia 22, os bancários do país inteiro vão realizar um
Dia Nacional de Luta, com manifestações e passeatas, para
pressionar os bancos. “Participe, sua presença é importante para
garantir uma grande atividade. Afinal, precisamos mostrar aos bancos
a nossa força”, conclama Jaqueline.

Único avanço
Houve apenas um avanço na
segunda rodada de negociação desta quinta, diante da proposta do
Comando de fazer uma pesquisa sobre o adoecimento crescente da
categoria. Os bancos propuseram criar, ao final da campanha deste
ano, um grupo de trabalho bipartite com a participação de
especialistas para discutir o afastamento dos bancários por razões
de saúde.

Os
bancários concordaram com a criação do grupo, mas deixaram claro
que ele precisa começar a funcionar desde já, ter prazo para acabar
e apresentar soluções para os trabalhadores. Os
representantes dos bancos ficaram de dar resposta na terceira rodada
de negociações, a ser marcada nesta sexta-feira.

Saúde
e condições de trabalho –
O
Comando Nacional dos Bancáreis insistiu nas reivindicações sobre
saúde, condições de trabalho e segurança para reiterar aos bancos
que não fechará a campanha deste ano se não houver solução para
essas importantes demandas da categoria.

“As metas
abusivas e o assédio moral estão provocando uma epidemia de
adoecimento na categoria. São os problemas mais graves que os
bancários enfrentam hoje, que precisam ser equacionados, assim como
o da falta de medidas de segurança”, explica Carlos Cordeiro,
presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos
Bancários.

Os representantes dos banqueiros, no entanto, não
apresentaram respostas para as reivindicações, dizendo que essas
demandas não estão “no radar” dos bancos. O Comando
também denunciou o descumprimento da Convenção Coletiva de
Trabalho (CCT) em relação às cláusulas sobre proibição de
transporte de valores pelos bancários, da
exposição do ranking individual dos funcionários e da
falta de reabilitação de
trabalhadores afastados por motivos de saúde. A Fenaban ficou de
atuar junto com os bancos para que a CCT seja cumprida.

Fim
das demissões e da rotatividade
No
debate sobre as reivindicações de emprego, o Comando dos Bancários
apresentou aos bancos números do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) que dão conta da extinção de 1.957 postos de
trabalho de janeiro a junho deste ano. Se levados em conta somente os
bancos múltiplos com carteira comercial (ou seja, fora a Caixa), o
saldo negativo sobe para 4.890 no período. Os bancários falaram,
ainda, do salário médio da categoria que caiu e ressaltaram que os
bancos promovem demissões para reduzir custos.

Mas, para os
bancos, as demissões são um “ajuste muito pequeno”. Com essa
lógica, disseram “não” à reivindicação para respeitar a
Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que
coíbe demissões injustificadas, como as promovidas por esse setor
que tanto lucra. Os
bancos também rejeitaram as reivindicações pelo fim da
rotatividade, respeito à jornada de 6 horas para todos e manutenção
da remuneração em caso de descomissionamento ou perda de
gratificação.

Segurança bancária – Após
cobrança do Comando Nacional, a Fenaban agendou uma reunião da mesa
temática de segurança bancária para a próxima terça-feira, dia
20, em São Paulo, para apresentação da estatística de assaltos a
bancos do primeiro semestre de 2013, conforme estabelece a CCT.

Veja como foram as outras reuniões de negociação com a Fenaban
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 Negociações entre bancários e bancos começam pelas metas abusivas

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