Pressionada
por mais de três mil trabalhadores que cercaram o Congresso
Nacional, a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania
(CCJC) da Câmara dos Deputados cancelou a sessão desta terça-feira
3, adiando mais uma vez a votação do PL 4330, que legaliza a
terceirização e precariza o trabalho no Brasil.
Apesar do
cancelamento da sessão, os sindicalistas, incluindo a delegação do
Sindicato dos Bancários de Pernambuco, permanecem na capital federal
em vigília, pois temem que o PL seja colocado na pauta de votação
desta quarta-feira, por pressão do empresariado e seus
representantes na CCJC.
“É uma vitória dos
trabalhadores. Nós impedimos a votação do projeto hoje, mas nesta
quarta o texto pode ser votado, por isso a mobilização continua”,
afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, que é
bancário.
O que era para ser uma manifestação pacífica se
transformou numa praça de guerra por causa do despreparo e da
violência das polícias militar e legislativa. Entre os milhares de
manifestantes, apenas 200 conseguiram entrar no plenário. Os outros
foram impedidos de entrar no prédio, reprimidos com cassetetes e gás
de pimenta.
“Sobrou até para mim, que estava filmando”,
informa João Marcelo Lopes, diretor do Sindicato. Segundo ele, quem
chegou no início da manhã conseguiu entrar, em problemas. Mas pela
hora do almoço a segurança já estava a postos, e os problemas
começaram, agravando-se no início da tarde.
“A polícia
não poupou ninguém: apanhou sindicalistas e quem mais estava por
perto”, conta o diretor do Sindicato, João Rufino, que está em
Brasília junto com João Marcelo e as diretoras Dileã Raposo e
Maria José Leódido. Todos os representantes dos bancários de
Pernambuco ficaram do lado de fora do Congresso Nacional.
Luta
continua nesta quarta – “Ganhamos mais uma batalha. Os
sindicatos de bancários de todo o país estão de parabéns pela
grande mobilização”, comenta Carlos Cordeiro, presidente da
Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro). “A pressão dos trabalhadores do lado de dentro e de
fora do Congresso foi fundamental para o cancelamento da sessão da
CCJC. Mas ainda não vencemos a guerra. É preciso continuar
pressionando e ampliar a mobilização para enterrar de uma vez por
todas esse projeto de lei do patronato, que destrói empregos e
direitos dos trabalhadores”, afirma.
Após o
cancelamento, dirigentes e a militância da CUT se concentraram no
acampamento montado na esplanada em frente ao Congresso Nacional por
conta da vigília organizada contra a votação do PL 4330, de
autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que amplia a precarização
do trabalho terceirizado. Os manifestantes permanecerão acampados
para acompanhar uma possível votação nesta quarta-feira e
pressionar os parlamentares a retirarem o projeto.
Mobilização
no Recife – No fim da tarde desta terça-feira, o Sindicato dos
Bancários de Pernambuco realizou mais um protesto no Recife. Os
dirigentes da entidade distribuíram um panfleto com o e-mail dos
deputados pernambucanos e conversaram com a população sobre os
problemas do PL 4330 e sobre a importância de pressionar os
parlamentares a votarem contra a proposta.
“Conseguimos
estabelecer um diálogo importante com a população. Aproveitamos o
horário de pico no trânsito e distribuímos os contatos dos
deputados para os motoristas e pedestres que passaram em frente ao
Sindicato, que fica numa das avenidas mais movimentadas do Recife”,
explica a secretária de Comunicação do Sindicato, Anabele
Silva.
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Segundo o secretário de Bancos Privados do Sindicato,
Geraldo Times, a população ainda não conhece muito bem o PL 4330,
apesar da mobilização das centrais sindicais nos últimos meses. “O
problema é que ninguém ouve falar deste projeto tão perigoso para
os trabalhadores na grande imprensa. Os jornais e revistas estão
entre os principais interessados na aprovação desta proposta, já
que hoje grande parte das redações são terceirizadas. Outro setor
que tem muito interesse e está trabalhando pesado para aprovar a
proposta é o sistema financeiro. Os bancos estão liderando as
negociações no Congresso Nacional e, caso tenham êxito, vão
acabar com o emprego e os direitos dos bancários”, explica
Geraldo.
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