Bancos apresentam proposta ridícula e bancários marcam greve

Nada de aumento real de
salário. Nada de valorizar o piso dos bancários. Nada de melhorar a
PLR. Nada sobre emprego. Nada de avanços para a saúde dos
trabalhadores. Nada de melhorar as condições de trabalho. Nada que
aponte para o fim das metas abusivas e do assédio moral. Nada para
melhorar a segurança bancária. E nada para promover a igualdade de
oportunidades.

A proposta apresentada nesta quinta-feira, dia
5, pela Fenaban ao Comando Nacional dos Bancários prevê, apenas,
reajuste de 6,1% (reposição da inflação) sobre os salários, os
pisos, a PLR e demais verbas de caráter salarial. Indagados pelos
representantes dos bancários se essa era a última proposta, os
negociadores da Fenaban responderam que “é a proposta final, pra
fechar acordo”, e que não há mais como avançar porque “a
categoria bancária já tem a melhor Convenção Coletiva do
país”.

Segundo a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello,
a proposta pífia apresentada pelos bancos foi rejeitada de imediato,
na mesa de negociações. “Não temos nem como apresentar uma
proposta desta em assembleia para os bancários. Ela é ridícula! Já
faz mais de um mês que estamos negociando com os bancos e até agora
nenhuma reivindicação foi atendida. Diante disso, só nos resta
preparar uma greve nacional forte para mostrar à Fenaban que não
aceitamos nenhuma proposta de acordo que não contemple nossas
reivindicações”, afirma Jaqueline, que representa Pernambuco no
Comando Nacional dos Bancários, responsável pelas negociações com
os bancos.

O Comando Nacional dos Bancários já aprovou um
calendário de luta que aponta para uma greve geral por tempo
indeterminado a partir do dia 19 de setembro. Para aprovar a
paralisação e organizar a greve, o Sindicato realiza assembleia com
os bancários na próxima quarta-feira, dia 11, às 19h, na sede da
entidade (Av. Manoel Borba, 564, Boa Vista, Recife).

“Convocamos
todos os bancários para esta assembleia, que deve definir pela
deflagração da greve. Os bancos, que só no primeiro semestre deste
ano lucraram mais de R$ 30 bilhões, estão brincando com os
bancários ao apresentar esta proposta. E a Fenaban já afirmou que
não vai melhorá-la, ou seja, só uma greve forte vai quebrar a
intransigência dos bancos na mesa de negociações”, finaliza
Jaqueline.

A PROPOSTA DA
FENABAN

Reajuste

6,1% (previsão da
inflação pelo INPC) sobre salários, pisos e todas as verbas
salariais (auxílio-refeição, cesta-alimentação,
auxílio-creche/babá etc)

PLR
90% do salário mais
valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61 (o que significa
reajuste de 6,1% sobre os valores da PLR do ano passado)

Parcela
adicional da PLR

2% do lucro líquido dividido linearmente a
todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88

Adiantamento
emergencial

Não devolução do adiantamento emergencial de
salário para os afastados que recebem alta do INSS e são
considerados inaptos pelo medico do trabalho em caso de recurso
administrativo não aceito pelo INSS

Prevenção de
conflitos no ambiente de trabalho
Redução do prazo de 60
para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas
pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para
discutir aprimoramento do programa de programa

Adoecimento
de bancários
Constituição de grupo de trabalho, com nível
político e técnico, para analisar as causas dos
afastamentos

Inovações tecnológicas
Realização,
em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da
Tecnologia no Cenário Bancário Mundial

AS
REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS


Reajuste
salarial

11,93% (5% de aumento real mais inflação projetada
de 6,6%)

PLR

Três salários mais R$
5.553,15

Piso
R$ 2.860,21 (salário mínimo do
Dieese)

Auxílios-alimentação, refeição, 13ª cesta e
auxílio-creche/babá

R$ 678 ao mês para cada (salário
mínimo nacional)

Melhores condições de
trabalho

Fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece
os bancários

Emprego
Fim
das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária,
combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza
as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158
da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas

Carreira
Plano
de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários em
todos os bancos

Auxílio-educação
Pagamento
para graduação e pós-graduação

Prevenção contra
assaltos e sequestros
Fim da guarda das chaves de cofres e
agências por bancários

Igualdade de
oportunidades

Contratação de pelo menos 20% de negros e
negras  

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