Bancários de Pernambuco aprovam acordo com os bancos e encerram greve recheada de conquistas

Depois de 23 dias de
greve, os bancários de Pernambuco aceitaram as propostas de acordo
dos bancos e encerraram mais uma paralisação recheada de
conquistas. Em assembleia realizada na noite desta sexta-feira (11),
centenas de trabalhadores lotaram a área externa do Sindicato e
comemoraram o fim de mais uma Campanha Nacional vitoriosa.

Para
a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, a greve nacional deste
ano entrou para a história como uma das mais fortes e longas
paralisações já realizadas pelos bancários. “Estamos todos de
parabéns por esta Campanha, que garantiu novas conquistas para a
nossa categoria”, destacou Jaqueline, que passou todo o dia de
ontem e a madrugada de hoje em São Paulo nas negociações com os
bancos.

“Conseguimos, pelo décimo ano consecutivo, garantir
aumento real de salários que, no acumulado de 2004 para cá, já
soma 18,33% de reajuste acima da inflação. A valorização do nosso
piso é ainda maior: 38,7% de ganho real. Foi uma linda campanha, em
que os bancários mostraram muita garra e disposição de luta”,
comenta Jaqueline, destacando que, no exato momento em que os
bancários votavam as propostas na assembleia, uma forte e rápida
chuva caiu, “como se estivesse abençoando o fim de mais uma
Campanha vitoriosa”.

Mas, para garantir um grande acordo nas
negociações gerais com a Fenaban e nas específicas com o Banco do
Brasil, Caixa e BNB, os bancários tiveram muito trabalho. “Começamos
a negociar com os bancos no início de agosto e, depois de um mês e
meio de diálogo sem avanços, não restou outra alternativa que não
fosse a greve. Ficamos 23 dias parados, foi a mais longa paralisação
desde 2004 e a mais forte dos últimos vinte anos. Mas conseguimos
quebrar a intransigência dos bancos, que juravam, até pela
imprensa, que este ano os bancários não teriam aumento real de
salários”, diz.

A luta dos bancários garantiu um reajuste
de 8% para os salários, vales e auxílios, com ganho real de 1,82%.
Já o aumento dos pisos foi de 8,5%, um ganho real de 2,29%.
“Conseguimos, ainda, valorizar a nossa PLR. Além de garantir um
reajuste de 10% no teto da distribuição, a regra da parcela
adicional irá mudar para melhor. Antes, os bancos distribuíam 2% do
seu lucro líquido como adicional. Agora serão 2,2%. Parece pouco,
mas só esses 0,2% a mais significam R$ 120 milhões do lucro dos
bancos que estão indo diretamente para o bolso dos bancários”,
comenta.

Jaqueline destaca também outros avanços que dizem
respeito à saúde, condições de trabalho e nas cláusulas sociais
da Convenção Coletiva dos Bancários e nos acordos específicos com
BB, Caixa e BNB. “É claro que não conquistamos tudo que
queríamos. Mas a luta não para. A Campanha Nacional acabou, mas as
negociações permanentes com os bancos continuam. Vamos manter a
pressão sobre as instituições financeiras para avançar nas
reivindicações que ainda não foram atendidas visando melhorar,
sempre, os salários e as condições de trabalho dos bancários”,
diz.

Além de Pernambuco, a grande maioria das assembleias
realizadas nesta sexta-feira em todo o país aprovou a proposta da
Fenaban, assim como os acordos específicos do Banco do Brasil e da
Caixa, encerrando a maior greve da categoria nos últimos 20 anos.

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