No Dia da Consciência Negra, Sindicato reforça luta por igualdade racial

No
dia 20 de novembro de 1695 morria Zumbi dos Palmares, principal líder
da resistência negra à escravidão no Brasil. A data é lembrada
todos os anos como o Dia da Consciência Negra.

Para
quem pensa que o racismo não existe no Brasil basta pesquisar na
internet para constatar que até hoje os negros ganham salários bem
menores que os brancos, morrem mais cedo, não têm acesso descente à
saúde e à educação e fazem parte da população mais carente do
país.

“E,
infelizmente, a situação não é diferente entre os bancários. No
Brasil, mais da metade da população é composta por negros, mas
apenas 3% dos bancários são negros e ocupam os cargos mais baixos”,
comenta o diretor do Sindicato, Geraldo Times. Segundo
ele, há
mais de uma década, os trabalhadores têm denunciado a existência
de discriminação contra a população negra nos bancos.

>> Confira como foi o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra nos Bancos, realizado na semana passada 

Por
isso, neste mês da consciência negra, os
bancários
não têm
muito a comemorar, uma vez que o quadro segue inalterado e as pessoas
negras continuam sendo minoria no sistema financeiro e no mercado
formal de trabalho do país.

Os
números mostram que, apesar do Brasil ser a segunda maior população
afrodescendente do mundo, ficando atrás apenas da Nigéria, não é
verificado um mesmo patamar de respeito à diversidade e à herança
cultural que devem fazer parte de uma sociedade democrática. E
quando tomamos como referência a América Latina e o Caribe
constatamos a presença estimada de 150 a 200 milhões de pessoas
afrodescendentes. Ou seja, é a maior população do mundo.

Porém,
em pleno século XXI, o mercado de trabalho ainda pratica ao menos
três tipos de discriminações contra os negros e as negras: a
ocupacional, a salarial e a pela imagem.

Portanto,
o modelo predominante de exclusão e marginalização
institucionalizadas nas instituições financeiras demonstra na
prática a falta de responsabilidade social dos bancos e evidencia
também a não valorização de um capital humano multicultural e
multirracial riquíssimo presente numa sociedade plural e diversa
como a brasileira.

Mulheres
negras são duplamente discriminadas –
 Pesquisas
confirmam que a inserção da mulher negra no mercado de trabalho é
caracterizada por ingresso precoce e tem como porta de entrada o
trabalho doméstico, onde 75% não têm carteira assinada. É uma
condição de extrema desvantagem em relação às demais mulheres
brancas e aos homens, brancos e negros.

As
mulheres negras trabalham em situações mais precárias, têm menos
anos de estudo, menos possibilidades de carreira, têm os rendimentos
mais baixos e as mais altas taxas de desemprego. São as últimas a
serem contratadas e as primeiras a serem demitidas. Situação que
comprova a dura realidade da mulher negra no Brasil.

Pesquisa
elaborada pelo Instituto Ethos, em 2010, mostra que a presença de
mulheres negras nos cargos de comando das empresas é quase nula:
apenas 0,5% está no executivo, 2% na gerência, 5% na supervisão e
9% no quadro funcional.

Programas
de inclusão –
 Conforme
demonstram pesquisas, os programas de valorização da diversidade
influenciam fortemente o bom desempenho financeiro das empresas. Isso
porque reforça vínculos e cria um clima positivo no ambiente de
trabalho.

Porém,
o que é verificado na maioria dos bancos, principalmente nos
privados, é que não há implantação de políticas de diversidade.
Pelo contrário, as empresas segregam e excluem de seus quadros
pessoas negras. Para piorar ainda mais, as instituições financeiras
não divulgam planos de ascensão na carreira, o que caracteriza o
não reconhecimento do potencial, da criatividade, do talento e do
empenho dos trabalhadores e das trabalhadoras. Enfim, comete
preconceito e discriminação velada e indireta.

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi