Mais
de 3 mil trabalhadores se reuniram nesta terça-feira, dia 26, em
frente à sede do Banco Central, em Brasília, para protestar contra
a política de juros altos do governo federal. Convocado pela CUT e
demais centrais, o Dia Nacional de Luta fechou a pista lateral do
Eixão rodoviário onde está localizado o BC e cobrou a redução
imediata da taxa básica de juros, a Selic.
O Sindicato dos
Bancários de Pernambuco engrossou as manifestações com a
presidenta Jaqueline Mello, o secretário-geral Fabiano Félix, e o
diretor Expedito
Solaney, que também é secretário de Politicas Sociais
da CUT.
Segundo Jaqueline, o protesto foi realizado ao mesmo
tempo em que o Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido
para definir a nova taxa básica de juros, cujo o valor deverá ser
anunciado nesta quarta-feira (27).
“A expectativa dos
analista é de que haverá alta de 0,5 ponto percentual na Selic,
fechando o ano em 10%. Seria o quinto aumento seguido desde abril.
Segundo os economistas, este meio ponto representa R$ 3 bilhões ao
ano que saem dos cofres públicos diretamente para o bolso dos
banqueiros e dos rentistas, contribuindo para concentrar ainda mais a
riqueza neste Brasil tão desigual”, diz Jaqueline.
Além da
redução da Selic, Jaqueline conta que os manifestantes também
exigiram a queda das tarifas e dos juros bancários e a
regulamentação do sistema financeiro.
O presidente da CUT,
Vagner Freitas, disse que o ato foi, na verdade, em defesa do
desenvolvimento do Brasil, com distribuição de renda e melhores
condições de vida para a classe trabalhadora.
“Juro alto
prioriza a especulação financeira em detrimento do trabalho e da
renda. Queremos um Brasil para todos”, disse Vagner. O dirigente
explicou que juro alto desestimula a produção, o trabalho e o
investimento público, com menos dinheiro para a saúde, educação,
transporte, infraestrutura, segurança e saneamento básico. “Isso
porque, todos os recursos são usados para pagar a dívida”,
explicou.
Vagner também criticou o argumento de que para
combater a inflação é preciso aumentar
a taxa de juros. “Combater a inflação com alta de juros gera mais
desemprego e mais recessão. O que mais afeta a taxa de juros é o
câmbio. O governo tem de resolver o problema do câmbio e, não,
aumentar os juros”, concluiu o presidente da CUT.