Grupo de Trabalho do Ministério da Justiça poderá evitar mortes em assaltos a bancos

Representantes dos bancários e dos vigilantes se reuniram com o Ministério da Justiça na tarde desta quinta-feira (30), em Brasília, para discutir o problema da falta de segurança nos bancos. Durante o encontro, a secretária nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério, Regina Miki, anunciou que levará ao ministro José Eduardo Cardozo a proposta de criação de um grupo de trabalho para discutir medidas para evitar novas mortes, especialmente de clientes, que representaram 55% das vítimas fatais em crimes envolvendo bancos no ano passado (leia aqui). 

O grupo de trabalho, integrado pela Contraf-CUT, Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Febraban, deverá ser constituído nas próximas semanas e, segundo Regina, “em duas ou três reuniões” será possível definir propostas que sejam eficazes para proteger a vida das pessoas.

A pesquisa, elaborada pela Contraf-CUT e CNTV com base em notícias da imprensa e apoio técnico do Dieese, apontou um crescimento de 14% nas mortes em relação ao ano de 2012. As principais ocorrências (49%) foram a “saidinha de banco”, que provocou 32 mortes, o assalto a correspondentes bancários (22%), que matou 14 pessoas, e o assalto a agências (12%), que tirou a vida de 8 pessoas. Houve também mortes em assaltos a caixas eletrônicos (6), abastecimento de caixas eletrônicos (3) e assaltos a postos de atendimento (2).

Mais uma vez, as maiores vítimas (55%) foram os clientes (36), seguidos de vigilantes (10), transeuntes (5) e policiais (7). Dois bancários também foram mortos, além de outras cinco pessoas, vítimas sobretudo de balas perdidas em tiroteios.

“Avaliamos como positiva a construção de uma portaria do Ministério da Justiça para definir medidas emergenciais, especialmente para combater a ‘saidinha de banco’, porque não podemos ficar esperando a divulgação da próxima pesquisa com novas mortes. Se nada foi feito, os números seguirão aumentando. A vida precisa ser colocada em primeiro lugar”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

A Contraf-CUT e a CNTV relataram a implantação de medidas eficientes em várias cidades do país, por força de leis municipais a partir da mobilização de sindicatos de bancários e vigilantes. “A instalação de portas giratórias com detectores de metais e biombos entre a bateria de caixas e as filas reduziu drasticamente os casos de ‘saidinha de banco’ e em capitais, como João Pessoa, Recife, Belo Horizonte e Belém, não houve notícia de mortes em 2013”, destacou José Boaventura, presidente da CNTV.

Outra medida defendida por bancários e vigilantes é a isenção de tarifas de transferência de recursos (DOC, TED), como forma de reduzir a circulação de dinheiro na praça. “Muitos clientes sacam valores elevados somente para não pagar as altas tarifas dos bancos e viram alvos de assaltantes cada vez mais violentos”, defende Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.

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