Este
sábado, 17 de maio é Dia Internacional de Combate à Homofobia. Há
décadas, Pernambuco é o estado onde mais se mata gays no Brasil. Em
2013, foram 34 vítimas. Situa-se, por sua vez, na região mais
homofóbica do país. O Nordeste abriga 28% da população e
concentra 43% dos crimes contra homossexuais.
No
Brasil, as
estatísticas também são cruéis: foram
assassinados no ano passado 312 gays, travestis e lésbicas – uma
morte a cada 28 horas. Trata-se do campeão mundial de crimes contra
transsexuais e travestis, concentrando 40% dos casos em todo o mundo.
Até
este domingo, 18 de maio, o Paço Alfândega recebe a exposição
“Família é Amor”, que retrata grupos familiares que convivem
harmoniosamente com as diferentes opções sexuais de seus
integrantes. A iniciativa é do grupo Mães pela Igualdade. Sua
realização no Shopping Paço Alfândega é fruto de decisão do
Ministério Público, a partir de denúncia de discriminação feita
pela principal representante do grupo no Recife.
Eleonora
Pereira tornou-se militante do movimento contra a homofobia depois de
perder seu filho, em 2010. No ano passado, foi impedida por
seguranças do Paço Alfândega de tirar fotos no local, apenas
porque levava a bandeira do arco-íris, que representa a população
LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros).
Seu
filho, José Ricardo, morreu em 2010, depois de ser espancado por um
grupo por conta de sua orientação sexual. Para Eleonora, que sabia
da opção de seu filho desde que ele tinha 18 anos e que o tinha
como companheiro e confidente, a perda foi um choque imenso. “Eu
costumo dizer que ele era meu lírio, mas que este pântano que é a
sociedade não deixou florescer”, diz.
Dois
meses depois, ela foi convidada a integrar o grupo Mães pela
Igualdade e entrou de cabeça. “No ano seguinte, fizemos o 1º
Seminário Nacional, na Câmara dos Deputados, com o tema: Família
Igualitária. Em 2012, montamos a 1ª Exposição, que circulou pelas
praças do Rio de Janeiro”, revela. No
Recife,
o
grupo agrega
mães da
capital,
sobretudo das periferias; de Salgueiro, São Vicente Férrer e vários
municípios da Região Metropolitana, Agreste e Sertão.
No
dia 28, a
exposição Família é Amor vai
para a Universidade Rural. Deve percorrer também o campus
universitário em Garanhuns e outros municípios do Sertão. A
discussão também está sendo levada
às escolas, com
visitas
agendadas em uma escola na Mangueira, em Campo Grande e em Jardim São
Paulo – onde José
Ricardo
era coreógrafo. No último domingo do mês, haverá
no Pina um mutirão de grafitagem sobre a temática da homofobia.