Ato nacional lembra crimes da ditadura contra os trabalhadores

Integrantes
da Comissão Nacional da Verdade, da Comissão Estadual Dom Hélder
Câmara, de centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram na
sede do Sindicato nesta
quarta 17 para organizar um grande ato nacional, previsto para o
final de agosto. O objetivo é dar visibilidade aos crimes cometidos
pela ditadura contra a classe trabalhadora. Nesta data, haverá
atividades nas várias partes do país, assim como escuta de
depoimentos de sobreviventes e testemunhas da repressão.

Segundo
Manoel Moraes, integrante da Comissão Estadual Dom Hélder Câmara,
a reunião desta quarta também visa envolver os sindicatos e
organizações de base no processo de resgate da memória. “Queremos
que cada sindicato tenha uma comissão, que possa ajudar a recompor
esta história com pesquisa documental e escuta de testemunhos”,
diz Manoel.

Segundo Rosa Maria Cardoso, da Comissão Nacional
da Verdade, as investigações do chamado G-13, grupo de trabalho que
investiga a ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento
sindical, tem um alcance bastante amplo.

“É preciso que se
deixe bem claro que os efeitos da ditadura para os trabalhadores vão
além das estatísticas de mortos e desaparecidos. O cerceamento da
atividade sindical e toda a precarização do trabalho imposta pela
ditadura geram consequências até hoje. Ainda não conseguimos,
apesar de todos os avanços e de toda a luta, recuperar o nível
salarial que se tinha antes
do Golpe
de 64”,
afirma Rosa.

Resgatar o que viveram os trabalhadores durante
o período de ditadura é, portanto, trazer à tona o processo de
organização e de lutas no período que antecedeu o golpe; é
investigar a relação entre o Estado e as grandes empresas; é
resgatar as violações de direitos, com prisões, torturas,
assassinatos, suicídios, desaparecimentos; examinar as listas negras
por
participação em atividades sindicais; lembrar as invasões,
destruições, apreensão de documentos e intervenção em
sindicatos; analisar os efeitos das políticas econômicas e sociais
do período.

O ato nacional, previsto para agosto, buscará
dar visibilidade a estes e outros aspectos. “Temos onze enfoques
que estão sendo trabalhados no GT Ditadura e repressão aos
trabalhadores. Por isso, a expectativa é que o trabalho se estenda,
mesmo depois de concluídos os trabalhos da Comissão da Verdade, com
a publicação do relatório final e das recomendações”, diz
Rosa.

Em Pernambuco, a Comissão Estadual já tem um tempo
maior para efetuar as investigações, de mais dois anos. “Estamos
na expectativa de que os Estados Unidos abram os seus arquivos,
porque muita informação nova vai surgir a partir da análise dos
documentos de lá. Aqui, por exemplo, o
IPES
(Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto
Brasileiro de Ação Democrática) eram biombos de recebimento de
recursos dos Estados Unidos para ação dos militares”, afirma
Manoel Moraes.

Para ele, é essencial que se envolva a
sociedade civil em todo o trabalho que vem sendo construído pelas
comissões nacional e estaduais da verdade, “até porque deste
trabalho vai resultar as recomendações. E, para que essas
recomendações se transformem em políticas públicas e saiam do
papel, a sociedade tem de
cobrar”, ressalta.

E completa: “Além disso, é
importante que as novas gerações conheçam o que se passou. O
Sindicato dos Bancários, por exemplo, tem uma história belíssima.
Foi quem acolheu uma assembleia de estudantes no dia em que aconteceu
o golpe, antes de sofrer intervenção”, lembra Manoel.

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