Em
negociação com os representantes dos bancários realizada nesta
quarta, dia 2,
em São Paulo, a direção do Itaú garantiu que suspenderá a
abertura de novas agências de negócios. Estas agências vem sendo
implantadas em várias cidades do país, inclusive
no Recife, mas
não possuem portas de segurança com detectores de metais nem
vigilantes, o que põe em rico a vida de bancários e clientes.
Quanto
às atuais 64 unidades existentes no país, o banco informou que está
avaliando o funcionamento. “Fizemos
várias manifestações Brasil afora e a própria Justiça, em alguns
estados, vem denunciando este modelo de agências implantado pelos
bancos. A pressão fez o Itaú
recuar. Agora, queremos que ele reavalie as unidades que já estão
em funcionamento”, afirma o secretário de Formação do Sindicato,
João Rufino, que participou da reunião.
O segundo avanço do
dia
ficou por conta da discussão sobre a
transformação
dos trabalhadores da financeira
Fináustria,
do
Itaú, em bancários.
São 1.829
trabalhadores que atuam na área de financiamento de veículos, em
todo o país, que passarão a ter os direitos dos bancários.
Com
isso, cerca de 1.600 operadores e promotores que hoje possuem jornada
de oito horas diárias passarão a ter a jornada de seis horas dos
bancários. Outros 533 trabalhadores que hoje estão abaixo do piso
dos bancários, passarão a receber o salário de ingresso da
categoria.
Segundo Rufino, a negociação desta quarta tratou
também de algumas especificidades dos que atuam com financiamento de
veículos nas várias concessionárias espalhadas pelo país. Uma
delas é a questão de trabalho em finais de semana. Os dirigentes
sindicais reivindicam que a folga, proposta pelo banco, de um final
de semana “cheio” por mês seja ampliada para dois .
Propõem também o aumento do adicional de hora extra aos sábados,
originalmente em 50%, no mesmo percentual oferecido aos domingos, que
será de 100%.
O banco ficou de marcar uma nova negociação
para dar a resposta às reivindicações apresentadas pelos
dirigentes sindicais.
Nem
tudo são flores
– A face negativa da negociação ficou por conta do tema das
demissões e rotatividade. O
Itaú lucrou R$ 4,5 bilhões no primeiro trimestre de 2014, um
crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entretanto, cortou 733 vagas nos
primeiros
três meses deste ano, totalizando 2.759 nos últimos 12
meses.
Questionados
pelos representantes dos trabalhadores, os negociadores do banco
afirmaram
que não há plano de redução de funcionários e
que estas estatísticas são “normais”. Foram
contestados pelo presidente da Contraf-CUT (Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro),
Carlos Cordeiro: “O que nós vemos hoje no Itaú, além dos
números do balanço, são funcionários sobrecarregados, acumulando
funções e adoecendo física e mentalmente. O que queremos são mais
contratações, o fim da rotatividade e o aumento dos postos de
trabalho. Não podemos aceitar que um banco, que lucra tanto, demita
pais e mães de família”, enfatizou.