
Conferência
e Seminário realizados pela ONG feminista SOS Corpo, em parceria com
o Sindicato, renderam dois dias de debates e reflexões sobre a
“mulher no mundo do trabalho, sob a perspectiva feminista”.
Na
quinta (21), a pesquisadora francesa Danièle Kergoat, considerada
uma das referências mundiais no tema, ministrou a conferência “O
trabalho e suas divisões: mudanças e permanências”. E nesta
sexta (22), o
debate teve continuidade com o
seminário “Relações Sociais, Trabalho e Emancipação na
Perspectiva Feminista Materialista”.
A
apresentação de Danièle suscitou a discussão sobre a divisão
sexual do trabalho. A pesquisadora discorreu sobre as relações
sociais de gênero e de raça, a partir do conceito de classe de
Marx.
Para a secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide
Rodrigues, um dos pontos mais importantes destacados pela
pesquisadora é que a discriminação é uma construção social, e
que para combatê-la não há hierarquia de temas. “Para lutar
contra a discriminação, é preciso encarar as relações sociais de
gênero, classe e raça de forma conjunta”, explica a diretora do
Sindicato.
Na
avaliação de Suzineide, o evento foi importantíssimo para a
formação daqueles que lutam pelos direitos das mulheres em
Pernambuco e no Brasil. “Nosso desafio, agora, é incorporar o
aprendizado construído durante o evento à nossa prática diária de
políticas para mulheres nos
sindicatos”,
afirmou a diretora.
Para
a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, é
importante discutir as maneiras como o capitalismo se utiliza da
divisão sexual do trabalho para ampliar seus lucros. Ela ressalta
também a forma como o trabalho doméstico das mulheres é
invisibilizado e tornado natural pela sociedade. “O movimento
sindical precisa incorporar no debate sobre o tempo e o tema do
trabalho a questão do ofício exercido pelas mulheres no espaço
privado”, diz.
Além
de feministas do movimento sindical, participaram do evento
acadêmicas e militantes de outras áreas de atuação. A diretora do
Sindicato, Janaína Knust, e a diretora
da
Fetrafi-NE, Tereza Souza também compareceram ao evento. “É
um debate que interessa muito ao movimento sindical: perceber como o
capitalismo se apropria desta divisão sexual do trabalho para manter
sua máquina de dominação e produção de lucros”, afirma Tereza.
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