
O Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE) interditou na noite desta terça-feira (20)
a unidade sede da Contax, em Santo Amaro, no Recife, devido a uma
série de infrações que prejudicam diretamente a saúde de 14 mil
trabalhadores da unidade, que presta serviço para os bancos, entre
outras empresas.
Depois de recorrentes orientações e termos
de ajustes indicados pela Justiça do Trabalho e não cumpridos pela
empresa, a paralisação do prédio atinge principalmente os
teleatendimentos de bancos e operadoras de telefonia.
Problemas
de saúde geram mais de seis mil atestados apresentados por mês na
Contax, parte deles rejeitados. Os trabalhadores foram retirados do
prédio e quem chegava recebia a informação de que aguardasse a
orientação sobre o retorno da atividade.
O termo de
interdição integra uma lista de itens a serem atendidos pela
empresa para suspender a interdição, que seria o retorno do
funcionamento do local. Higiene de espaços e equipamentos do
ambiente de trabalho e postura de assédio moral de supervisores e
coordenadores estão na lista. O MTE terá um dia útil para liberar
o funcionamento, caso não permaneçam as infrações. O
descumprimento da interdição pode gerar prisão para o autor da
liberação. A Polícia Federal participou da operação para
garantir a segurança dos auditores.
De acordo com a
coordenadora da operação do MTE, Cristina Serrano, são muitas
regras não cumpridas e condições de trabalho que prejudicam
diretamente a saúde, o que pode justificar o alto volume de faltas e
apresentação de atestados.
“O nível de adoecimento se
tornou algo fora de controle. Os trabalhadores são proibidos de
beber água de acordo com a necessidade. O mesmo vale para ida ao
banheiro. As cobranças de atendimento e metas a cumprir são
excessivas. Todo esse cenário gera problemas osteomusculares, como
tendinites, e geram patologias irreversíveis, como lesões de ombro
ou de perda de audição. Por ter restrições de idas ao banheiro,
evitam beber água, o que causa infecção urinária. E entra no
círculo de patologias”, destacou. “A maioria tem idade de
18 anos a 25 anos e estamos visualizando uma parcela de jovens
sequelados”, complementou.
Para a presidenta do
Sindicato, Jaqueline Mello, esta situação dos atendentes de
telemarketing pode ser estendida para os bancários, caso os bancos
consigam aprovar, no Congresso Nacional e na Justiça, seus projetos
que liberam a terceirização indiscriminada. “No ano passado,
terminou sem sucesso a negociação entre centrais sindicais, governo
e empresas para discutir um acordo em torno do projeto de lei 4.330,
que legaliza a terceirização irregular e tramita desde 2004 no
Congresso. A luta continua este ano para, de uma vez por todas,
enterrar este e outros projetos que só acabam com a saúde e a
qualidade de vida do trabalhador”, destaca Jaqueline.
Terceirizada
dos bancos – A Contax, maior em atuação no serviço de
teleatendimento do país, é prestadora de serviço de call center
para quatro bancos (Bradesco, Itaú, Santander e Citibank) e três
operadoras de telefonia (Oi, Vivo e Net).
As empresas foram
autuadas e multadas em mais de R$ 300 milhões no fim do ano passado
por terceirização ilícita dos serviços de call center, além de
assédio moral e adoecimentos em massa de trabalhadores alocados
dentro da Contax.
“A paralisação do edifício da Contax
de Santo Amaro serve de modelo para as outras 32 do Grupo espalhadas
pelo país. Isso não quer dizer que as outras estão em condições
perfeitas. Estão descumprindo da mesma forma, mas paralisar 33
prédios da empresa no Brasil é impossível de forma simultânea”,
explica a auditora do ministério do Trabalho.
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