Ataques a bancos cresceram 7% e atingiram 3.150 no país em 2014

Os ataques a bancos
subiram 7% em 2014 e alcançaram 3.150 ocorrências em todo o país,
uma média assustadora de 8,63 por dia. Desses casos, 2.373 foram
arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas
eletrônicos (muitos com uso de explosivos), o que representou um
crescimento de 13,8% em relação a 2013. Já os assaltos (inclusive
com sequestro de bancários e vigilantes), consumados ou não,
somaram 777, uma redução de 9,5% na comparação com o ano
anterior.

Em Pernambuco, o número de ataques a bancos se
manteve estável entre 2013 e 2014, com 83 ocorrências em cada ano.
No entanto, o estado subiu duas posições no ranking da insegurança
bancária e agora ocupa a 10ª colocação entre as 27 unidades da
federação.

Os dados são da 8ª Pesquisa Nacional de Ataques
a Bancos, elaborada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Confederação Nacional dos Vigilantes
(CNTV) e Federação dos Vigilantes do Paraná (Fetravisp), com apoio
técnico do Dieese. O levantamento foi publicado nesta sexta-feira,
dia 27, e pode ser acessado na íntegra aqui.

Desde
o início da pesquisa, em 2011, o crescimento dos ataques foi de
95,4%. Nesses quatro anos, os arrombamentos aumentaram 147,4% e os
assaltos tiveram elevação de 19%.

A CNTV, a Contraf-CUT e a
Fetravisp irão encaminhar cópia da pesquisa para o ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, solicitando novamente uma audiência
para discutir os ataques a bancos e as medidas para proteger a vida
das pessoas. Já foi enviada a pesquisa nacional de mortes em
assaltos envolvendo bancos, lançada em 24 de fevereiro, apontando a
ocorrência de 66 assassinatos em todo país no ano
passado.

“Queremos cobrar medidas concretas do ministro
para combater as mortes e os ataques a bancos, que ocorrem por
negligência dos bancos, uma vez de que eles preferem fazer a gestão
do lucro em detrimento da proteção da vida de trabalhadores e
clientes”, afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos
Cordeiro.

“Vamos exigir também a responsabilização
civil e criminal dos executivos dos bancos e das empresas de
segurança, que são responsáveis pela insegurança nas agências,
postos de atendimento e caixas eletrônicos, pois essa situação de
morte e ataques não pode ser banalizada, mas precisa ser enfrentada
com ações eficientes que coloquem a vida das pessoas em primeiro
lugar”, reforça o presidente da CNTV, José Boaventura
Santos.

Carência de investimentos dos bancos –
Conforme estudo feito pelo Dieese, com base nos balanços
publicados de 2014, os cinco maiores bancos (Itaú, BB, Bradesco,
Caixa Econômica Federal e Santander) lucraram R$ 60,3 bilhões e
aplicaram R$ 3,7 bilhões em despesas com segurança e vigilância, o
que representa uma média de 6,1% na comparação entre os lucros e
os gastos com segurança.

Sessenta e seis mortes
Outro diagnóstico da violência nos bancos é a pesquisa
nacional sobre mortes em assaltos envolvendo bancos, elaborada pela
Contraf-CUT e CNTV a partir de notícias da imprensa, com apoio
técnico do Dieese.

Em 2014, o levantamento apurou a
ocorrência de 66 assassinatos, média de 5,5 vítimas fatais por
mês, um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período do ano
passado, quando foram registradas 65 mortes. São Paulo (20), Rio de
Janeiro (8), Goiás (5), Minas Gerais (4), Paraná (4) e Pernambuco
(4) foram os estados com o maior número de mortes.

As
principais ocorrências (48,5%) foram o crime de “saidinha de
banco”, que provocou 32 mortes; o assalto a correspondentes
bancários (24,2%), que matou 16 pessoas; o transporte de valores
(13,6%), que vitimou 9 pessoas, e o assalto a agências (10,6%), que
tirou a vida de 7 pessoas. Houve também 2 mortes em ataques a caixas
eletrônicos.

As principais vítimas (54,5%) foram os clientes
(36), seguidas de vigilantes (10) e policiais (8). As demais mortes
são de transeuntes, donos ou empregados de correspondentes bancários
e vítimas de balas perdidas em tiroteios entre assaltantes de bancos
e policiais.

Propostas dos bancários para garantir
segurança

– Porta giratória com detector de metais antes
da sala de autoatendimento com recuo em relação à calçada, onde
deve ser colocado um guarda-volumes com espaços chaveados e
individualizados;

– Vidros blindados nas fachadas externas;


Câmeras de vídeo em todos os espaços de circulação de clientes,
bem como nas calçadas e áreas de estacionamento, com monitoramento
em tempo real e com imagens de boa qualidade para auxiliar na
identificação de suspeitos;
– Maior controle e fiscalização do
Exército no transporte, armazenagem e comércio de explosivos;


Instalação de caixas eletrônicos somente em locais com
segurança.

– Biombos ou tapumes entre a fila de espera e a
bateria de caixas;

– Divisórias individualizadas entre os
caixas, inclusive os eletrônicos;

– Ampliação do número de
vigilantes visando garantir o cumprimento integral da lei 7.102/83
durante todo horário de funcionamento das agências e postos de
atendimento;

– Contratação de mais bancários para agilizar
o atendimento nos caixas e acabar com as filas, evitando a ação de
olheiros e prevenindo a “saidinha de banco”;


Isenção das tarifas de transferência de recursos (DOC, TED) para
reduzir a circulação de dinheiro e combater o crime da “saidinha
de banco”;

– Fim da guarda das chaves de cofres e das
unidades por bancários e vigilantes, ficando depositadas na sede das
empresas de segurança;

– Proibição do transporte de valores
por bancários; 

– Operações de embarque e desembarque
de carros fortes somente em locais exclusivos e seguros; 


Fim do manuseio e contagem de numerário por vigilantes no
abastecimento de caixas eletrônicos;

– Atendimento médico e
psicológico para trabalhadores e clientes vítimas de assaltos,
sequestros e extorsões;

– Escudos com assentos no interior
das agências e postos de atendimento para os vigilantes  

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