Cunha, Fiesp e Globo bancam terceirização na Câmara

Sob a batuta de Eduardo Cunha, a Câmara dos Deputados liquidou a aprovação da Lei da Terceirização na quarta-feira 22 e mandou o projeto ao Senado. Apertado, o resultado de 230 votos a 203 foi bem diferente do placar folgado (324 a 137) da primeira apreciação, no dia 8. Não havia mais, porém, o medo da reação popular visto no dia 15, motivo do adiamento da votação naquela oportunidade. O que teria levado a uma segunda reviravolta? Pelo que se ouve na Câmara, uma combinação de lobby patronal, cobertura simpática da lei pela mídia e um esforço de Cunha de evitar a todo custo o risco de derrota.

Às vésperas da quarta-feira 22, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) levou ao ar nos principais canais de tevê uma propaganda a favor da lei. No vídeo, pessoas a se declararem terceirizadas diziam ser a lei necessária para garantir-lhes direitos trabalhistas. O presidente da entidade, Paulo Skaf, aparecia dizendo que o projeto era importante para os trabalhadores, antes mesmo de afirmar que também era para os empresários. Um vídeo de teor parecido circulou pela internet por obra da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As entidades também foram a campo pessoalmente. Após Skaf baixar na Câmara duas semanas seguidas, no dia da votação final foi a vez de diretores da CNI percorrerem gabinetes. Embora o Palácio do Planalto tenha oficialmente se omitido no debate da lei, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), trabalhou contra o projeto e, vencido, apontou a atuação patronal como decisiva. “A Fiesp, a CNI e a CNA (confederação dos ruralistas) enquadraram o PSDB”, disse. Sem o voto dos tucanos, que na semana anterior pareciam hesitantes, o projeto teria sido arquivado.

Não foi só a publicidade patronal a tentar criar um clima mais confortável na opinião pública para os deputados dispostos a aprovar a lei. No dia da votação final, o diretor do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, estava na Câmara a acompanhar a polêmica. Para ele, o noticiário da Rede Globo foi fundamental para se entender o desfecho do caso.

No dia 15, quando a Câmara fraquejara, o Jornal Nacional difundira uma reportagem de 4 minutos de teor favorável à lei. Dos quatro entrevistados, só um era contra, o presidente da CUT, Vagner Freitas. Os outros eram a favor: Paulinho, ex-presidente da Força Sindical, e os economistas Hélio Zylberstajn e José Pastore. No dia 22, o telejornal dedicou mais 3 minutos ao tema. De novo, havia só uma voz contra, a de Freitas, e três a favor: Zylberstajn, Pastore e o presidente da Força, Miguel Torres.

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