
Estamos
vivendo um momento crucial na história brasileira. Há muito tempo,
as divisões de classe não se mostravam de forma tão aberta e
clara.
De
um lado, há um Congresso Nacional formado por 251 patrões. Trata-se
da maior bancada do nosso Parlamento: 221 empresários na Câmara dos
Deputados e 30 empresários no Senado Federal. Some-se a estes os 126
representantes dos ruralistas.
Deste
mesmo lado, puxam a corda os donos da grande mídia do país: cinco
famílias que decidem o que é ou não notícia e como os fatos devem
ser informados para a população; os banqueiros, as construtoras e
empreiteiras, o agronegócio e as oligarquias que patrocinam as
campanhas e publicam anúncios nos jornais, passando com isso a
usufruir do poder de impor suas vontades a todo um país.
Do
outro, há 95,9 milhões de trabalhadores, segundo os dados mais
recentes do IBGE. Sem falar nos desempregados, nas donas de casa, nos
agricultores familiares, nos sem terra, nos estudantes.
Ou
seja, embora de um lado haja armas mais avançadas, existe do outro
lado, um exército muito mais numeroso. O que falta é unificar estes
guerreiros em torno de um objetivo comum, fazendo-os perceber quem
está ao lado deles e de que lado cada um está.
A
votação do Projeto de Lei 4330 colocou em evidência os interesses
que movem o Congresso Nacional. Com seus rostos expostos nas redes
sociais e nas ruas, alguns cederam à pressão.
Mas
é preciso reforçar o exército dos trabalhadores. A aprovação da
terceirização irrestrita pode significar um retrocesso de quase 100
anos de luta. É o maior ataque aos direitos trabalhistas da história
recente do país. Significa a precarização do trabalho, o fim dos
direitos trabalhistas, a pulverização dos sindicatos. É a
concretização de um sonho antigo dos que puxam a corda do lado de
lá: o sonho de deixar para o Deus Mercado a regulação das relações
trabalhistas.
Este
1º de maio de 2015 é, portanto, um divisor de águas. E cada
sindicato, cada trabalhador, cada militante, cada um que sonha que
outro mundo é possível, tem a responsabilidade de ocupar as ruas e
mostrar de que lado está.