Com manobra de Cunha, Câmara aprova financiamento empresarial

Em uma manobra regimental, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mesmo depois da Casa rejeitar na véspera a inclusão do financiamento empresarial à campanha de candidatos, colocou novamente, nesta quarta (27), o tema em votação, e conseguiu a aprovação com folga. Foram 330 votos a favor, 141 votos contra e 1 abstenção e a emenda aglutinativa à PEC 182 que permite os partidos receberem doações de empresas nas eleições, e repassarem os recursos para seus candidatos foi aprovada.

Antes da aprovação, quando Cunha apresentou a proposta houve várias discussões e diante da polêmica sobre a validação, o presidente teve que suspender a sessão para fazer uma reunião com os líderes da Câmara em busca de entendimento para prosseguir a votação.

Mesmo com a retomada dos trabalhos, deputados de diferentes partidos como do PCdoB, do PT, do Psol e do PSB questionavam a manobra de Cunha para votar pela segunda vez o financiamento empresarial de campanha. O líder do PT, deputado Sibá Machado (AC), argumentou que tinha sido feito um acordo entre os líderes, de que, votada a emenda aglutinativa sobre o financiamento, se encerrariam as votações sobre as regras de financiamento. “Fizemos um acordo para a votação da emenda sobre financiamento, e no nosso entendimento ele foi quebrado”. 

Já na primeira votação, a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), desabafou: “O atropelo não para. A bancada do PCdoB liderou o debate com emenda que trata do financiamento público e de pessoas físicas nas campanhas, mas a presidência da Casa volta ao debate de doações de empresas. Isto é um absurdo!”

O deputado do PCdoB, Orlando Silva, defendeu no Plenário a emenda do PCdoB sobre financiamento público. “Tentaremos introduzir o financiamento democrático na Constituição”, mas não aceitaram, lamentou. “Infelizmente, a Reforma Política não alcançou o objetivo esperado pelo povo, de ampliar a participação e criar mecanismos de democracia direta”.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) disse que o objetivo da reforma política é apenas colocar na Constituição o financiamento empresarial, acabando com a polêmica com o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem uma ação contra a doação de empresas que já teve voto favorável de seis ministros. “Mudança de sistema, fim da reeleição, é tudo cortina de fumaça. O objetivo é colocar na Constituição o financiamento empresarial. Essa votação é uma coletânea de votos perdidos no Supremo. Perderam no Supremo e agora querem aprovar”, afirmou.

Fim da reeleição para presidente, governador e prefeito – Depois das reeleições de três presidentes da República, a regra instituída pelo PSDB em 1997 para garantir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi aprovada em um placar muito expressivo na noite desta quarta-feira (27). Por 452 votos a favor, 19 contra e 1 abstenção, o Artigo 3º do relatório do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) acaba com a releição para os cargos de chefe do Executivo municipal, estadual e federal foi aprovado.

As propostas devem passar ainda para a votação em segundo turno na Câmara e dois turnos no Senado, antes de ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. O Plenário continua na tarde desta quinta-feira (28), a votação de outros temas da reforma política.

Para o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), o resultado da votação deixa uma lição que já devia ter sido entendida pela maioria dos deputados: a necessidade da participação da sociedade na construção deste processo.

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