Trabalhadores de todo o país e de
diferentes categorias deram seu recado nesta sexta-feira, 29 de Maio:
não vão aceitar retrocessos. O Dia Nacional de Paralisação e
Protestos foi uma atividade nacional contra os vários projetos que
tramitam no Senado, alguns deles já aprovados, e que representam
retrocesso na luta e organização trabalhista. É o caso do PL que
escancara a terceirização, aprovado na Câmara e que está no
Senado como PC 30; e das medidas do pacote de ajuste fiscal do
governo, recém aprovadas.
Em Pernambuco, o dia amanheceu sem
ônibus nem metrô, A imensa adesão dos rodoviários ao movimento
parou a cidade: escolas, universidades e repartições deixaram de
funcionar pela inexistência de transporte público. Em Suape, desde
as primeiras horas da manhã, metalúrgicos faziam manifestações em
frente ao Estaleiro Atlântico Sul e, em ação truculenta da Polícia
Militar, onze dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos foram
detidos.
>> Onze
dirigentes sindicais detidos no Recife
>>
Nota de repúdio à ação da Polícia Militar de Pernambuco
Bancários,
trabalhadores do Incra, servidores do INSS e
professores da rede pública estadual também
aderiram ao movimento. Entre os bancários, o foco da adesão foi o
corredor da Conde da Boa Vista, onde todas as agências pararam até
meio-dia. Em frente a unidade do BNB, os trabalhadores realizaram ato
e demonstraram sua indignação.
“Temos
uma história de luta para conquistar nossos direitos e não vamos
abrir mão deles. O Congresso Nacional está fazendo o papel de
defensor dos patrões: afinal, são 251 parlamentares na bancada
empresarial. Mas também precisamos pressionar o governo: se o
projeto de terceirização passar no Senado, a presidenta Dilma vai
ter que vetar. Além disso, a fórmula 85/95, alternativa ao fator
previdenciário, tem que ser sancionada pela presidenta”, afirma
a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello.
Ela
denuncia, ainda, o pacote de ajuste fiscal do governo, que teve
algumas de suas medidas aprovadas pelo Senado na última semana. As
MPs 664 e 665, que reduzem direitos conquistados pelos trabalhadores,
como seguro-desemprego e mudanças na previdência. “São
as grandes fortunas que precisam ser taxadas”,
completa
Jaqueline.
Para
a secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os
ataques conservadores ameaçam não apenas os direitos trabalhistas,
mas os direitos humanos e o próprio sistema democrático do país.
“A recente aprovação da institucionalização do financiamento
privado de campanha é um exemplo. Esse Congresso, eleito com a ajuda
dos grandes empresários e da grande mídia, está tentando impor
estas e outras pautas negativas que prejudicam o conjunto da
sociedade. Precisamos dar uma resposta à altura”, diz Suzineide.
ATO
UNIFICADO –
Durante a tarde, os bancários se uniram aos demais trabalhadores em
ato com concentração em frente a Fiepe (Federação das Indústrias
de Pernambuco). De lá, cerca de cinco mil pessoas marcharam pelas
ruas do centro do Recife, representadas por mais de 50 sindicatos e
entidades dos movimentos estudantil e social, do campo e da cidade.
Quando
o relógio marcou 16h40, os trabalhadores em educação se
encontraram com os manifestantes, após a Assembleia Geral realizada
em frente à Assembleia Legislativa (Alepe). Foram recebidos com
aplausos e manifestações de apoio. A passeata ganhou mais força e
determinação.
Os
docentes rejeitaram novamente a proposta do governo estadual de 7,01%
de aumento para professores e de 6,12% para analistas e o quadro
administrativo, até o final do ano. Desde o início da paralisação,
que já teve a categoria de braços cruzados por 24 dias no mês
passado, o movimento pede um incremento de 13,01% nos salários para
todos os quase 50 mil profissionais.
O
Governo do Estado, além
de não avançar no diálogo, tem agido de encontro ao direito de
greve. Entre as medidas ilegais, ele bloqueou
as contas do Sindicato
dos Trabalhadores em Educação
e enviou intimação assinada pelo procurador Jovaldo Nunes Gomes, o
mesmo que decretou a ilegalidade do movimento.
No
documento está dito que as multas no valor de R$ 80 mil voltarão a
ser cobradas. “Isso é uma Justiça a serviço do governo
estadual. Qualquer categoria que entra em greve em Pernambuco já
começa o movimento ilegal, com pagamento multa. Isso vai de encontro
aos nossos direitos”, assinalou o presidente da CUT, Carlos
Veras. Ele
afirma que
as centrais sindicais vão denunciar o Tribunal de Justiça de
Pernambuco (TJPE) a órgãos internacionais, a exemplo da Organização
Internacional do Trabalho.