CONGRESSOS DA CAIXA E DO BB: Unidade para avançar nas conquistas e barrar o retrocesso

Em
três dias de discussão, 651 bancários, representantes dos
empregados da Caixa e do Banco do Brasil em todo o país, chegaram a
um consenso: é preciso fortalecer a unidade e reforçar os laços de
solidariedade nacionais e internacionais. “É assim que temos
conseguido avançar. E é assim que vamos conseguir barrar a agenda
conservadora e as ameaças aos direitos trabalhistas que vem sendo
impostas pelas elites econômicas nos últimos tempos”, afirma a
presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, bancária da Caixa.

Foram
348 delegados que participaram do 31º Conecef (Congresso Nacional
dos Empregados da Caixa Econômica) e 303 representantes no 26º
Congresso dos Empregados do Banco do Brasil. Realizado nesta sexta,
sábado e domingo – 12, 13 e 14, os encontros contaram com a
participação de uma delegação pernambucana de dez funcionários
do BB e quinze da Caixa.

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Confira aqui a delegação pernambucana

Nestes
três dias de debates, nos dois encontros, os participantes avaliaram
a conjuntura nacional e internacional; realizaram trabalho em grupos
de discussão sobre saúde, condições de trabalho, assistência
médica e previdenciária, segurança e infraestrutura, organização
dos trabalhadores, entre outros pontos. No último dia do Congresso,
as definições dos grupos foram levadas à plenário para definição
da pauta de reivindicações específica da categoria.

No
quesito organização, o fortalecimento da unidade foi ressaltado por
todos. Significa manter a estratégia de mesa única de negociações,
concomitante com as discussões em mesas específicas, e reforço na
mobilização unificada.

Significa
mais: buscar uma solidariedade global, seja com a categoria em outros
países, seja com outras categorias, com foco no combate aos projetos
que penalizam os trabalhadores e à agenda conservadora imposta
pelas elites. Nesse sentido, destaque-se a luta contra o PL da
Terceirização; o pacote de ajuste fiscal do governo; e projetos
como o da redução da maioridade penal.

O
papel desempenhado pela organização dos trabalhadores e a
necessidade da solidariedade internacional ficou clara em painéis
como o que debateu “A Organização dos Bancários nos Estados
Unidos da América”.

Lá, nas unidades do Banco do Brasil, a situação dos
trabalhadores é muito pior que no Brasil: os empregados não são
concursados; não há vale alimentação, nem refeição, nem vale
transporte; não existe 13º e os reajustes são individualizados.
“No Brasil, conquistamos um nível de organização que é
referência mundial. Precisamos reforçar isso e também avançar,
garantindo uma aliança global entre os trabalhadores”, afirma a
secretária de Assuntos da Mulher do Sindicato, Sandra Trajano, do
Banco do Brasil.

No
último dia de encontro, bancários dos dois bancos definiram suas
pautas de reivindicações, que serão entregues nas mesas de
negociação específicas com a Caixa e BB. Entre as pautas comuns
estão o fim da terceirização, a necessidade de mais contratações,
combate ao assédio moral, melhorias nos Planos de Carreira e
regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal, que trata
do Sistema Financeiro Nacional.

Confira
algumas demandas de destaque:

BANCO DO BRASIL

Remuneração
e condições de trabalho

  • Mais contratações
  • Combate ao assédio moral
  • Melhorias no PCR (Plano de Carreiras e Remuneração): piso
    equivalente ao salário mínimo do Dieese (R$ 3.377,62
    em maio); interstício de 6% na tabela de antiguidade); valor maior
    das letras de mérito e com tempo menor para aquisição; instituição
    de processos de seleção interna; fim dos descomissionamentos

Saúde
e Previdência

  • Liberação de dados sobre doenças ocupacionais
  • Cassi: manutenção do princípio de solidariedade; inclusão de
    funcionários oriundos de bancos incorporados; reforço no modelo de
    atenção integral e Programa Saúde da Família
  • Previ: Utilização do superávit para melhoria dos benefícios; fim
    do voto de minerva nas instâncias de gestão; implantação de teto
    para benefícios; esclarecimentos sobre estudos feitos por
    consultoria para mudanças no sistema de gestão

CAIXA ECONÔMICA

Saúde
e condições de trabalho

  • Fim das terceirizações
  • Mais contratações
  • Prevenção do assédio moral e sexual
  • Combate às metas abusivas
  • Cobertura para acompanhamento e política de prevenção às doenças
    psíquicas
  • Saúde Caixa: utilização do superávit para ampliação do
    atendimento, da cobertura e extensão a aposentados que saíram em
    planos de demissões
  • Inclusão de cláusula sobre saúde da mulher negra, em cumprimento
    da nota técnica do Ministério da Saúde

Aposentados
e previdência

  • Funcef: Fim do voto de minerva nas instâncias de gestão; repasse de
    recursos necessários para dar baixa no contencioso jurídico
  • Aposentados: recomposição do poder de compra; extensão de auxílio
    e cesta-alimentação

Segurança
e infraestrutura

  • Definição
    da Lotação Autorizada de Pessoal (LAP) de cada unidade pela equipe,
    com atendimento em dois turnos, de modo a respeitar a jornada de seis
    horas de trabalho de cada bancário;
  • Exigência de que novas unidades sejam abertas apenas com a
    estrutura física, de segurança e ergonomia necessárias.
  • Segurança:
    criação de estruturas de segurança discutidas com as
    representações sindicais em todos os estados, compatíveis com as
    demandas locais; retomada do modelo “Agência Segura”, com
    monitoramento do ambiente das salas de autoatendimento;
  • Combate à terceirização e universalização dos serviços
    bancários, com abertura de novas agências e contratação de
    pessoal

Isonomia
e carreira

  • Isonomia de direitos entre novos e antigos empregados, com ênfase
    para a extensão da licença-prêmio e do anuênio para todos os
    trabalhadores; extensão de direitos a todos os trabalhadores
    terceirizados;
  • Carreira: criação de um comitê de acompanhamento dos Processos
    Seletivos Internos por Competência (PSCIs) e do banco de
    habilitados, oportunidades e sucessores, com a participação dos
    empregados e um membro da Gipes; criação de função gratificada
    para empregados que atuam no atendimento social, FGTS e para quem
    trabalha no setor social; concessão de um delta a cada dois anos
    pelo período em que não houve promoção por mérito nos PCSs de
    1989 e 1998;
  • Fim do GDP (Gestão de Desempenho Pessoal) 
Confira a cobertura dos Congressos


BANCO DO BRASIL


CAIXA ECONÔMICA

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