Todos
os funcionários do Santander, ativos e aposentados, terão isenção
de tarifas na conta combinada funcionário. Essa foi a principal
conquista da reunião realizada na última quinta-feira (18) entre a
Contraf-CUT (Confederação
Nacional do Trabalhadores do Ramo Financeiro), a Comissão de
Organização dos Empregados (COE) e o Comitê de Relações
Trabalhistas do banco.
“A
isenção de tarifas era fruto de um acordo verbal. Então, era comum
o descumprimento desse acordo. A formalização dele é uma grande
conquista”, afirma Teresa Souza, que representa a Federação dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste (Fetrafi-NE) na COE do
Santander.
A
reunião debateu ainda condições de trabalho. Os dirigentes
sindicais reivindicaram a contratação de mais funcionários para
suprir as demandas impostas pelas metas abusivas. Denunciaram que a
situação piorou após o banco lançar, em janeiro, o plano Jeito
Certo, que propunha mais foco nos clientes e não nos produtos.
Teresa
explica que esse plano submete os trabalhadores a uma pressão ainda
mais forte do banco para que eles batam as metas. “Os gerentes
fazem planejamentos semanais, que são monitorados pelos seus
superiores hierárquicos. Os funcionários estabelecem, por exemplo,
metas de vendas e captação de clientes. Como, em teoria, são eles
mesmos que estabelecem essas metas, se não conseguirem cumpri-las a
cobrança será ainda maior. E sabemos que eles não têm total
liberdade para traçar essas metas, pois têm que responder às
demandas do banco”, ressalta a representante do Nordeste no COE.
O
banco se comprometeu a fazer um balanço do plano no final do
primeiro semestre e passar os dados aos dirigentes para uma avaliação
conjunta.
O
Comitê de Relações Trabalhistas do Santander atendeu a outra
reivindicação dos trabalhadores ao propor uma cartilha de
orientação com as regras de abertura e prospecção de contas
universitárias. De acordo com a categoria, no início dos períodos
letivos as cobranças e o desrespeito aos horários de trabalho
aumentam muito.
A
Contraf-CUT ainda denunciou a falta de caixas
e o acúmulo de responsabilidade dos gerentes-gerais e gerentes
administrativos que, em muitos casos, são responsáveis por mais de
uma agência. “Isso mostra a necessidade de mais trabalhadores”,
garante a coordenadora da COE, Maria Rosane.
Ela
conta que também foi cobrado o respeito à legislação do estágio
e do Jovem Aprendiz, para que eles não efetuem vendas de produtos. O
banco se comprometeu a fiscalizar e rever essas práticas.
O
assunto mais polêmico nas conversas foi a segurança nas agências
de negócios. De acordo com o banco, a lei não pede segurança neste
tipo de estabelecimento. “Não aceitamos esta postura, pois é
perigoso para bancários e clientes. Vamos continuar reivindicando
até conquistarmos a abertura de negociação”, disse a
coordenadora.
Antes
do final do encontro, o Santander admitiu falha no sistema e prometeu
disponibilizar em seu site, já na próxima segunda-feira (22), as
inscrições para as 800 bolsas de estudos para pós graduação. O
prazo de inscrição vai até a terceira semana de julho e os
critérios de desempate serão os mesmos usados para a graduação. A
única diferença é que só pode receber o benefício quem tiver um
ano de vínculo com a instituição.
A
representante do Nordeste da COE, Teresa Souza, afirma que “a
reunião com o Santander foi bastante positiva,
mas é essencial uma mobilização permanente dos trabalhadores para
garantir que o banco cumpra os compromissos assumidos”
Fórum
de Saúde- Também
na
quinta-feira, houve reunião do Fórum de Saúde. O Santander
reconheceu o atraso na marcação para consultas e exames
psiquiátricos, que chegam a demorar 40 dias, e culpou as operadoras.
“Pedimos uma atuação enérgica e imediata junto aos
responsáveis. Mais do que isso, queremos uma análise das causas
para a alta demanda deste tipo de atendimento que, com certeza, é
gerada pelo modelo de pressão dos bancos”, afirmou Marcelo
Gonçalves, membro da COE e diretor executivo do Sindicato dos
Bancários de São Paulo.
Os
representantes dos trabalhadores cobraram revisão do Kit
afastamento, série de documentos que o bancário precisa preencher
ao sair de licença. “Um bancário com AVC não consegue, em uma
semana, prestar essa série de informações sobre sua doença.
Pedimos bom senso na formatação deste tipo de regra. O prazo não
pode ser menor que 10 dias nem com ameaça de penalidade”,
exemplificou Gonçalves.
Outra
reivindicação é o parcelamento na devolução do adiantamento de
salários, no caso de afastamento médico. Os bancários pedem que a
parcela comprometa, no máximo, 20% da renda mensal do trabalhador e
não a vista, como é atualmente.
Os
dirigentes sindicais contestaram a avaliação do banco ao atestado
médico. Eles pediram que este processo não ocorra durante a licença
e também a reformulação da intimação para o trabalhadores
comparecerem a uma consulta com o médico do banco, afim de tirar
dúvidas sobre a necessidade de afastamento.
“Desconfiança
e intimidação não são as melhores maneiras de tratar os
funcionários”, afirmou Gonçalves. Foi denunciada ainda a
ingerência sobre os atestados de saúde ocupacional. O banco se
comprometeu a descredenciar qualquer clínica que seja flagrada
atendendo aos desejos dos chefes de departamentos e não avaliando as
reais condições do trabalho. Nessa questão, a Contraf-CUT pede que
os bancários denunciem esse tipo de caso.
Por
fim, foi acertada uma reunião para discutir o programa Retorne Bem,
que se refere à reinserção bancários que estavam de licença
médica. Como esse programa foi estabelecido unilateralmente pelo
banco, a categoria pede participação na reformulação para atender
melhor aos trabalhadores.
“O
Retorne Bem funciona muito em alguns lugares do Brasil, mas têm
muitos problemas em outros. Precisamos garantir que ele funcione bem,
de maneira uniforme, em todo país”, avalia a representante do
Nordeste na COE, Teresa Souza.