Sindicato garante três reintegrações de bancários demitidos com 30 anos de trabalho

Murilo Vasconcelos,
Itaú, 31 anos de banco; Manoel Ramos da Silva, Bradesco, 34 anos de
banco; José Geneci da Silva, Bradesco, 28 anos e seis meses de
banco. Todos eles foram demitidos no ano passado, quando já estavam
perto da aposentadoria e acometidos de doenças ocupacionais. Eles
procuraram o Sindicato e garantiram, na Justiça, a
reintegração.

Murilo começou a trabalhar no Itaú como
contínuo. Passou por todas as funções até chegar a gerente geral.
Oito meses antes de ser dispensado pelo banco, foi transferido do
setor de empresas para o setor de agências. “Foi um período muito
difícil. Havia poucos trabalhadores para dar conta da demanda. Eu
estava em um processo de adaptação e não tive qualquer feedback do
banco”, conta. O retorno dado pela empresa foi a demissão, em
outubro de 2014.

O bancário procurou o Sindicato, que o
encaminhou aos médicos e ao INSS. “Eu sabia que estava doente. Não
conseguia dormir. Sofria de muita ansiedade e até minhas relações
pessoais estavam sendo afetadas. Tomei uma decisão extremamente
equivocada de optar pelo trabalho. Não aconselho ninguém a fazer o
que fiz”, diz. Somente após a demissão, recebeu o diagnóstico de
estresse e depressão. A
ação na Justiça foi movida por meio da advogada Keyla Freire, do
escritório Lapenda
e Freire Advogados e Associados, que presta serviços ao Sindicato.

Murilo volta a trabalhar na mesma agência. Permanece fazendo
tratamento, mas já recebeu alta do INSS. “Minha expectativa para
voltar é grande. Gosto muito do que faço e fui muito bem recebido
pelos colegas”, diz. A expectativa é, também, com a restauração
do Plano de Saúde que foi cortado desde abril, o que dificultou seu
tratamento. “Fui injusto comigo mesmo. Eu estava doente e não me
cuidei com medo de ser desligado. Acabei sendo desligado do mesmo
jeito”, desabafa o trabalhador.

Bradesco
Manoel Ramos da Silva era funcionário do Bradesco há 34 anos.
Passara por várias agências e funções até chegar à gerência
geral da agência de Surubim. Quando foi demitido, em dezembro de
2014, a única coisa que disseram foi que ele “já dera sua
contribuição”.

O trabalhador procurou o Sindicato que o
orientou a fazer exames médicos que constataram as doenças
ocupacionais. “Eu sentia dores nos punhos, ombro e cotovelos. Mas
deixava pra lá, nunca liguei…”, diz Manoel Ramos.

O
diagnóstico foi reconhecido pelo INSS e o bancário entrou com ação
na Justiça por meio da advogada Márcia Santos, do escritório
Galindo & Falcão Advogados Associados. Reintegrado na semana
passada, ele permanece de licença, pelo menos até dia 13, quando
realiza nova perícia.

Também do Bradesco, José Geneci da
Silva tem 28 anos e seis meses de dedicação à empresa. Gerente
comercial da agência Capibaribe, tinha histórico profissional
impecável, no cumprimento de metas, no setor de recuperação de
créditos, e inclusive substituindo gerentes gerais de várias
agências quando saíam de férias.

Assim como os demais,
optou por ignorar as dores em função do trabalho. “Eu tinha
marcado consulta no médico quando fui comunicado de minha demissão”,
conta Geneci. O Sindicato o encaminhou para exames que diagnosticaram
as lesões, reconhecidas em seguida pelo INSS. A ação judicial foi
movida por meio do advogado Pedro Paulo Pedrosa. Reintegrado nesta
quinta, 25, ele permanece de licença pelo menos até dia 20, quando
se submete à nova perícia.

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