74 % dos brasileiros são contra financiamento empresarial de campanhas

Pesquisa encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao
Instituto Datafolha mostra que 74% dos brasileiros não concordam com o
financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Apenas 10% afirmou
ser favorável a prática.

A rejeição maior às doações de empresas a partidos e políticos advém das
pessoas que possuem curso superior, são 80%. A recusa é alta, também,
entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos (82%).
Para 79% dos entrevistados, o maior motivo para se recusar o
financiamento privado é que a prática está ligada diretamente à
corrupção. Apenas 3% acredita que a doação de empresas previne a
corrupção.

Ainda de acordo com a pesquisa, 22% das pessoas favoráveis ao
financiamento empresarial são eleitoras do PSDB. 20% dos que se
declararam favoráveis ao PT estão de acordo com as doações de
empresários.

A pesquisa foi feita com 2.125 pessoas, entre os dias 9 e 13 de junho,
em todas as regiões do País. Vale lembrar que a OAB, que encomendou a
pesquisa, é autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4650,
que tramita no Superior Tribunal Federal (STF) e proíbe a prática de
financiamento empresarial de campanhas.

O julgamento da ação foi interrompido no dia 2 de abril de 2014, quando
Gilmar Mendes pediu vista do processo e a sessão foi suspensa. Nesta
data, o processo já havia recebido seis votos favoráveis e um contrário,
ou seja, maioria configurada.

Quando quer justificar a recém-aprovada redução da maioridade penal de
18 para 16 anos, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), apela para o argumento de que seria, essa medida, um desejo
popular.

Usando uma recente pesquisa, também do Datafolha, que mostra que 87% da
população é favorável a redução da maioridade penal, Cunha aplicou um
golpe na Casa e aprovou o projeto que autoriza a medida.
Resta saber se, para Cunha, o desejo popular continuará sendo importante
nesta semana. O segundo turno da PEC 182, a contrarreforma política,
deve começar a ser votado nesta terça-feira (7), na Câmara dos
Deputados.

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