Cúpula dos presidentes formaliza protocolo de adesão da Bolívia

Os países-membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela – assinaram nesta sexta um novo protocolo, com o objetivo de incluir a Bolívia no bloco.
 
Em 2012 (quando o Paraguai estava suspenso do bloco, como consequência do golpe parlamentar contra o ex-presidente Fernando Lugo), Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela já haviam assinado o protocolo de adesão da Bolívia.
 
Posteriormente, os parlamentos de Argentina, Uruguai e Venezuela votaram e aprovaram a inclusão da Bolívia no Mercosul, sem necessidade de nova ratificação.
 
No caso de Brasil e Paraguai, a aprovação por parte dos respectivos poderes legislativos ainda está pendente.
 
A Bolívia está classificada atualmente como país associado em processo de adesão ao bloco.
 
Maduro celebra nova visão integral do Mercosul – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ressaltou nesta sexta-feira (17/7) a nova visão integral do Mercado Comum do Sul (Mercosul), dirigida a um desenvolvimento nos âmbitos econômico, político, social e que inclui aos seus povos.
 
“Há um novo Mercosul, com uma nova visão social, a favor dos mais necessitados e pensado para construir um caminho de confiança política, um Mercosul democrático”, expressou o mandatário venezuelano, durante sua intervenção na Cúpula das Chefas e Chefes de Estado do bloco regional, que se realiza no Brasil.
 
Maduro também disse que vem notando a transformação do grupo nos últimos dez anos, não mais a visão estritamente comercial de outros tempos.
 
“Creio que se está formando as bases para um novo Mercosul. Daquele Mercosul que só falava de taxas de exportação evoluímos a um Mercosul com visão econômica, de complementariedade, de esforços compartilhados para o desenvolvimento de uma zona econômica interna do Mercosul, que já vem mostrando resultados”, agregou.
 
O presidente venezuelano recordou que o líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, sempre insistiu na necessidade de unidade na diversidade de modelos, ideologias e propostas.
 
“É preciso reconhecer que existe um presidente indígena, que vem dos movimentos originários, como Evo Morales, e um movimento bolivariano como o nosso, aqui presente. Ninguém vai nos apagar do mapa, nem as campanhas midiáticas nem as pressões políticas. Nós existimos”, ressaltou o chefe de Estado venezuelano.
 
Ele acrescentou que a Venezuela não vai desaparecer, porque “somos uma realidade e um projeto democrático e inclusivo. São temas importantes para um Mercosul dinâmico, democrático, ligado aos povos”.
 
Sobre o aspecto comercial, Maduro falou que, graças ao Mercosul, seu país tem alianças com diferentes países, e nesta sexta incluiu uma nova, ao assinar um tratado com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, para acelerar a relação comercial entre ambos.
 
A confirmação desse acordo foi anunciada pelo chefe de Estado venezuelano na noite de quinta-feira (16/7), logo após chegar ao Brasil, quando detalhou que o projeto busca fortalecer as relações comerciais e impulsar a produção de alimentos na Venezuela.
 
Em sua intervenção, o presidente Maduro agradeceu o apoio dos países do Mercosul contra a guerra econômica que a Venezuela enfrenta, e a colaboração dos integrantes do bloco regional para que o país incremente seu comércio e capacidade de investimento.
 
Maduro também se comprometeu a saldar a dívida da Venezuela com o Fundo de Convergência Estrutural (Focem) e ajudar ao seu fortalecimento como mecanismo de estabilização e apoio.
 
Além disso, destacou a necessidade de seguir fortalecendo as alianças econômicas fora do Mercosul, “porque o ideal é nos fortalecer internamente, impondo nossa imagem de grupo respeitado além das nossas fronteiras”.
 
Acordo com o Uruguai – Ao começar sua intervenção na Cúpula, transmitida na Venezuela pelo canal TeleSur, o presidente informou que, após uma reunião com seu colega uruguaio, Tabaré Vázquez, ambos os países assinaram um acordo para acelerar a relação comercial.
 
“Acabamos de fechar um acordo com o presidente Tabaré, partindo da base do acordo energético de 2005, para acelerar todos os processos de comércio entre Uruguai e Venezuela”, expressou.
 
No acordo, se destaca a importação à Venezuela de 265 mil toneladas de alimentos uruguaios, uma medida que forma parte das ações do governo venezuelano para enfrentar a guerra econômica promovida por setores da direita para desestabilizar o país.
 
Cúpula especial da Unasul – O líder bolivariano informou também que a União de Nações Sul-americanas (Unasul) concordou em realizar uma reunião especial para abordar o diferendo entre Venezuela e Guiana pelo território de Essequibo. O encontro será em Assunção do Paraguai.
 
“Quero agradecer a disposição em convocar uma reunião especial da Unasul em Assunção. No final de agosto vai ser marcada uma data para se tratar esse tema, que vocês sabem que trouxe à tona outra polêmica: o diferendo entre Guiana e Venezuela pelo território roubado pelo império britânico no Século XIX, e que pertence à pátria de Bolívar”, manifestou Maduro.
 
O mandatário indicou que durante a reunião privada dos chefes de Estado, prévia à cúpula televisada, ele explicou a controvérsia territorial entre Venezuela e Guiana, que tem como base de mediação o Acordo de Genebra, estabelecido em 1966 entre o Reino Unido, então país colonizador do território, e o governo interino da Guiana, que naquele então vivia um processo de independência ainda não concluído.
 
Esse acordo estabelece que não será permitido nenhum ato ou atividade enquanto esteja vigente esse documento assinado pelas partes. Contudo, em abril passado, a empresa petroleira estadunidense Exxon Mobil realizou atividades no território marítimo de Essequibo, com a aprovação do presidente desse país, David Granger, o que foi uma transgressão do Acordo de Genebra.
 
A Venezuela insiste na necessidade de respeitar o acordo para alcançar uma solução pela via da diplomacia e da paz.

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