Sindicato lamenta a morte do jornalista Vito Giannotti

O Sindicato lamenta a
morte do jornalista Vito Giannotti, que faleceu no último sábado,
dia 25, aos 72 anos. Vito, além de jornalista, era metalúrgico,
historiador, escritor, professor e militante da democracia e do
socialismo.

Obstinado, Vito deixa mais de duas dezenas de
livros. E a experiência singular do Núcleo Piratininga de
Comunicação, criado por ele no Rio de Janeiro. Um centro de
estudos, de memória, de debates, de produção e troca de
conhecimento. E de amizades. Os cursos de comunicação promovidos
anualmente pelo Núcleo são concorridíssimos e o Sindicato
participa todos os anos.

“É uma grande perda para a
esquerda e, principalmente, para a comunicação”, diz a presidenta
do Sindicato, Suzineide Rodrigues. Para ela, Vito foi um grande
companheiro de lutas, sobretudo da luta sindical. “Ele tinha um
grande senso crítico e de classe. Sua luta era incansável pela
organização da classe trabalhadora. Vito sempre nos provocava para
que os sindicatos construíssem sua própria comunicação e para que
a classe classe trabalhadora fosse protagonista da história”,
lembra Suzi.

Biografia – Vito é filho de italianos.
Chegou a São Paulo aos 21 anos, em 1964, e passou a vida toda
construindo. Construiu resistência à ditadura, construiu a oposição
metalúrgica de São Paulo ante sucessivas direções indignas de
representar trabalhadores, construiu a pesquisa e a memória das
lutas sociais e operárias, construiu pontes que, por meio da
comunicação, ligassem lideranças sociais e intelectuais e suas
ideais ao cidadão comum exposto à indecência da imprensa
hegemônica.

Suas palestras eram movidas a sonho e convicção.
Com a mesma fluidez de suas prosas. Era crítico ácido de sindicatos
e movimentos que desprezam a necessidade de produzir comunicação de
qualidade com a sociedade – com linguagem respeitosa e clara, com
elegância, com profissionalismo. E mesmo quando chutava o balde ao
desferir crítica a um jornal malfeito, o fazia com o objetivo nítido
de construir, de impelir as esquerdas e movimentos, qualquer que
fosse a corrente, a deixar de falar para o umbigo e disputar a
opinião pública.

Vito foi tudo isso. Intenso, propositivo e
agregador. Sua alegria, sua energia, sua contundência, e sobretudo
sua esperança e prazer de lutar, contagiantes, farão uma falta
danada – ainda mais nesse momento sombrio de nossa política.  

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