Bancos negam reivindicações sobre saúde e negociação com os bancários não avançam

Os
problemas no trabalho que afetam a saúde dos bancários foram o tema
central da negociação com
os bancos, nesta
quarta-feira, dia 2. O Comando Nacional dos Bancários apresentou uma
série de dados que mostram que a categoria é uma das que mais
sofrem com doenças ocupacionais no país. Apesar dos intensos
debates e da importância das reivindicações apresentadas, os
bancos não assumiram qualquer compromisso para resolver o problema e
combater os casos de adoecimentos dos bancários.

Para a
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que representa
Pernambuco nas negociações com os bancos, as reivindicações sobre
saúde estão entre as prioridades dos bancários para a Campanha
Nacional deste ano.

“A pesquisa que o Sindicato realizou
com os bancários para definir a pauta de reivindicações deste ano
constatou que as metas abusivas e o assédio moral estão entre os
principais problemas da nossa categoria. Há anos que os bancários
vêm sofrendo com LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e outras
doenças físicas. Mas, nos últimos anos, os dados de afastamento
dos bancários do trabalho mostram que as doenças psíquicas já
superaram a LER e são causadas, sobretudo, pela pressão desmedida
para o cumprimento de metas”, explica Suzi.

A presidenta do Sindicato destaca que, além de prejudicar a saúde dos bancários, os bancos ainda costumam demitir os funcionários com doenças ocupacionais, numa dispensa completamente ilegal. “Os bancos privados exploram seus empregados, roubam a sua saúde e depois descartam as pessoas como se fossem objetos. Só em Pernambuco, temos centenas de demissões ilegais feitas pelos bancos nos últimos anos e que são revertidas cotidianamente pelo Sindicato na Justiça”, ressalta Suzi.  

Rotina
estressante –

Com uma rotina de trabalho cada vez mais estressante, com metas
abusivas e muita pressão pela cobrança de resultados, a categoria
bancária está entre as que mais apresentam problemas de saúde com
causas nas condições de trabalho. Os casos de transtornos mentais e
comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria
bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort. Entre
janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do
trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e
distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão,
estresse e síndrome do pânico.

O INSS ainda não divulgou os
dados do ano todo de 2014 sobre o setor bancário, mas tabelas
completas de anos anteriores reforçam este aumento. Em 2009, foram
2957 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Já em
2013, os números chegaram a 5042 bancários. Um crescimento de
70,5%, conforme estudo do Dieese com base nos benefícios
previdenciários e acidentários concedidos pelo INSS. No mesmo
período, nas outras categorias, o crescimento foi de
19,4%.

Suzineide
conta que, durante a negociação desta quarta, os sindicatos
destacaram que a cultura de trabalho dentro do banco precisa mudar
urgentemente. “Reivindicamos que as
metas sejam estabelecidas com a participação dos trabalhadores,
levando em conta o tamanho
da unidade, a região, o
número
de empregados e carteira de clientes. Mas
os bancos negaram, alegando que as metas fazem
parte da gestão”, conta.

O
Comando Nacional dos
Bancários também reivindicou
o aprimoramento do instrumento de prevenção e combate ao assédio
moral, uma conquista da Campanha
de 2011. O movimento sindical acredita que o tempo de resolução dos
casos precisa ser mais rápido. Atualmente, os bancos têm 45 dias e
durante este período assediador e assediado convivem no mesmo local
de trabalho. Isso intensifica o quadro de depressão e de outras
doenças pelo assédio. A Fenaban, no
entanto, negou a
redução
do
prazo de apuração das denúncias de assédio moral.

Negociação
continua nesta quinta –
A
segunda rodada de negociação com a Fenaban continua nesta
quinta-feira (3) com as discussões sobre saúde e segurança.

Estarão em pauta, entre outras reivindicações, a abertura e
fechamento remoto das agências; instalação de biombos nos caixas;
melhor atendimento aos bancários e demais vítimas de assaltos; fim
da revista de funcionários, praticada em muitas agências pelo país;
extinção das tarifas para transferências de dinheiro via DOC e TED
para combater o crime de “saidinha”.

>> Confira como foi a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2015

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi