Bancários cobram mais saúde e segurança, mas bancos não avançam nas negociações

Foram dois dias de
debates intensos. O Comando Nacional dos Bancários apresentou à
Fenaban vários dados e situações enfrentadas pelos bancários, que
comprovam a necessidade de melhorias nas condições de trabalho,
mais segurança e respeito à saúde dos trabalhadores. Mas, os
bancos trataram as reivindicações sem o empenho que merecem e a
segunda rodada de negociação da Campanha Nacional 2015, realizada
nesta quarta (2) e quinta-feira (3), em São Paulo, terminou sem
propostas concretas para resolver os graves problemas.

Para a
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os bancários precisam
esquentar a mobilização e se preparar para uma possível greve. “Os
bancos estão com nossa pauta desde 11 de agosto e até agora não
atenderam nenhuma reivindicação. As últimas negociações estão
marcadas para o dia 18. Se até lá não houver avanços, vamos ter
de encarar mais uma greve”, afirma Suzi, que representa Pernambuco
no Comando Nacional dos Bancários, responsável pelas
negociações.

>> Confira como foi a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2015

Saúde O
Comando Nacional mostrou pesquisas do Dieese, com base nos dados do
INSS, as quais evidenciam a relação da rotina estressante de
trabalho com os adoecimentos. Os casos de transtornos mentais e
comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria
bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort (leia
mais
).

“As doenças psíquicas são causadas, sobretudo,
pela pressão desmedida para o cumprimento de metas. Exigimos dos
bancos o fim das metas abusivas e o combate sem tréguas ao assédio
moral”, explica Suzi.

Os bancos reconheceram que pode haver
excessos no modo de cobrança por parte de alguns gestores, mas não
concordaram com a reivindicação do Comando para que as metas sejam
estabelecidas com a participação dos trabalhadores, com critérios
para a estipulação, levando em conta o porte da unidade, a região
de localização, número de empregados e carteira de
clientes.

Pressionada, a Fenaban resolveu atender algumas das
reivindicações de combate ao assédio moral. Assumiu o compromisso
de avaliar a possibilidade do empregado pedir transferência para
outra unidade, quando for comprovadamente assediado. Assim como
informar as soluções dadas aos casos de assédio moral apurados
também pelos canais internos dos bancos. Os trabalhadores também
cobraram mais rapidez na solução dos casos. Atualmente, os bancos
têm 45 dias para este retorno, mas a Fenaban não aceitou reduzir o
prazo.

Outro problema enfrentado pela categoria é a
manutenção de direitos para os bancários afastados por acidente de
trabalho e motivo de saúde. A reivindicação é que diferença
entre benefício recebido do INSS e o salário seja paga pelos
bancos. Mas, os banqueiros responderam que já há várias cláusulas
na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que tratam de ressarcimento
de diferenças e que não querem nada de novo relativo ao
tema.

Diante dos problemas, a Fenaban concordou em marcar
novas reuniões com os dirigentes sindicais para debater o tema de
saúde, antes do encerramento da Campanha Nacional 2015.

Segurança
Além da pressão por resultados, metas abusivas e
assédio moral, os bancários também convivem com a insegurança nos
locais de trabalho. Levantamento realizado pela Contraf-CUT aponta
que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em
2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês. Os ataques a
agências e caixas eletrônicos também viraram manchetes diárias
nos jornais pelo País. Foram 3.150 ocorrências no ano passado, com
uma média assustadora de 8,63 por dia.

O Comando Nacional
cobrou melhores condições de segurança para bancários, clientes e
assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsão, com
atendimento médico e psicológico não só ao empregado, mas também
à família do funcionário. Os bancários querem que os bancos sejam
obrigados a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
sobre todos os casos de tentativa ou de assalto consumado, assim como
o Boletim de Ocorrência.

Como medida de prevenção aos
assaltos, o Comando Nacional quer o fim da guarda das chaves por
funcionários e que empresas de segurança privada sejam contratadas
para o trabalho. A Fenaban também não aceitou, alegando que
qualquer pessoa pode ser vítima da violência.

Pernambuco
em destaque –
Para reduzir a violência, os bancários querem a
implantação em todo o País dos equipamentos e medidas que fizeram
do projeto-piloto de segurança. O projeto é uma conquista da
Campanha 2012. Foi implantado durante um ano, entre agosto de 2013 e
agosto de 2014, em Recife, Olinda e Jaboatão de Guararapes e testou
a eficácia de itens que o movimento sindical julga serem necessários
para garantir segurança.

Houve a instalação, nas agências,
de porta giratória com detector de metais câmeras internas e
externas, biombos em frente aos caixas, guarda-volumes e vigilantes
armados e com coletes balísticos, além de cofre com dispositivo de
retardo.

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de
Pernambuco, o número de roubo a bancos caiu pela metade (de 16 para
8) nas cidades do projeto entre janeiro e junho de 2014, em
comparação com o mesmo período de 2013. O número de arrombamentos
teve uma queda de 41,8%, caindo de 110 em 2013 para 64 em 2013. Em
relação à “saidinha de banco”, o número de registros em
Olinda caiu 46,4%.

Mas os bancos, recusaram, novamente a
replicar estes equipamentos para todo Brasil, preferindo continuar
com os projetos-pilotos. Concordaram, apenas, em testar as medidas em
outras duas regiões.

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