O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coêlho, afirmou hoje (10) que a decisão sobre o financiamento privado de campanhas caberá agora ao Supremo Tribunal Federal (STF) e disse não acreditar que a constitucionalidade do tema seja permitida. Segundo ele, “o julgamento desta ação um ano antes das próximas eleições respeita o princípio da anualidade constitucional e traz segurança jurídica às próximas eleições”.
Anteriormente, Coêlho já destacou considerar importante “dar um basta definitivo na corrupção, que tem essa raiz (financiamento empresarial)”. Segundo ele, a relação imprópria entre empresas e candidatos em período eleitoral, não raramente, repercute na relação indevida na administração pública, motivo pelo qual a entidade considera que não é possível o país continuar a ter “campanhas milionárias e hollywoodianas”.
A fala de Coêlho repercute diretamente o fato de, durante um ano e cinco meses, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pela OAB ter ficado parada por conta do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes (somente devolvido esta tarde). Também alfineta a votação de ontem da Câmara dos Deputados, uma vez que, em mais uma manobra, a Casa modificou o texto aprovado no Senado e voltou a aprovar o financiamento empresarial para partidos políticos durante as eleições.
Coêlho afirmou que o entendimento da entidade é de que o investimento empresarial em candidatos e partidos precisa ser analisado pelo Judiciário. Na última semana, a OAB entrou com nova ação junto ao STF para pedir que o financiamento seja vetado nas eleições municipais de 2016 – levando em conta os votos já declarados da maioria do colegiado, a favor da inconstitucionalidade do tema.
Durante a manhã, em um seminário realizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Coêlho pediu uma reforma política profunda para o país, citou a questão do financiamento privado de campanhas e disse que essas mudanças precisam ser feitas “sem ódio e sem intolerância”. “Precisamos fortalecer a democracia, mas na base do diálogo. Não há donos da verdade nesse debate nem um sistema político eleitoral perfeito”, acentuou.
O advogado acrescentou, ainda, que “a única verdade absoluta do Direito é que não há verdade absoluta”. Ele defendeu a importância de se buscar o fortalecimento da atuação dos parlamentares enquanto representantes do povo brasileiro para defender a democracia com regras mais equilibradas.