Bancos frustram negociação e não apresentam qualquer proposta; nova rodada ficou marcada para o dia 25

Como
todas as anteriores, a quarta rodada de negociação da Campanha
Nacional 2015, nesta quarta-feira (16), terminou sem avanços.
Realizada em São Paulo, a negociação teve como pauta as cláusulas
de remuneração.  

Mesmo com os lucros nas alturas, os bancos não
apresentaram propostas sobre as reivindicações entregues pelo
Comando Nacional dos Bancários, incluindo o reajuste salarial de
16%.

A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) informou
que ainda vai consultar as instituições financeiras para apresentar
uma proposta global para a categoria. A
próxima reunião ficou marcada para o dia 25 de setembro, um dia
após reunião dos banqueiros.

“Os bancos estão com nossas reivindicações desde o dia 11 de agosto, já era hora de apresentar uma proposta. Os bancos continuam lucrando alto, seus ganhos estão se multiplicando este ano, e ainda tiveram coragem de falar da conjuntura e da crise na negociação desta quarta. Os bancários esperam uma proposta decente na semana que vem, pois, caso contrário, estamos prontos para encarar mais uma greve por tempo indeterminado. Até nas negociações específicas, o BB, a Caixa e o BNB estão reproduzindo a mesma linha da Fenaban”,
afirma
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que representa os
bancários de Pernambuco nas negociações.

Somente
no primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos que operam no
País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram
R$36,3 bilhões. Um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo
período do ano passado. Mas, os negociadores dos bancos tentaram
usar a retração econômica do País para justificar a falta de
propostas, com a alegação de que este é um ano atípico. 

Nas
negociações desta quarta-feira foram debatidas as seguintes
reivindicações:

Reajuste
de 16
%

O
reajuste de 16%, reivindicado pelos bancários, inclui reposição da
inflação mais 5,7% de aumento real. Nos últimos 10 anos (2004 a
2014), a categoria bancária conquistou aumento real de 20,7%. O
Comando alertou, durante a negociação com a Fenaban, que não
aceitará retrocessos.

PLR

Estudos
do Dieese apontam que quanto maior o lucro do banco, menor tende a
ser o percentual de distribuição na forma de Participação nos
Lucros e Resultados (PLR). Os percentuais do Bradesco e do Itaú, por
exemplo, foram 6,70% e 5,40%, respectivamente, sobre o lucro líquido
de 2014, mas já chegaram a pagar 14% em 1995, quando os bancários
começaram a negociar a PLR.

Diante
deste quadro desproporcional, a categoria está reivindicando PLR de
três salários mais parcela fixa de R$7.246,82. Na hipótese de
prejuízo, os trabalhadores querem a garantia do pagamento de um
salário mínimo do Dieese, referente ao mês de divulgação do
balanço.

Os
bancos sinalizaram para a manutenção das regras do ano passado com
correção, mas ficou de apresentar um pacote global.

14º
salário

Como
valorização do trabalhado executado pelos bancários, os dirigentes
sindicais reivindicaram o pagamento do 14º salário a todos o
empregados, inclusive aos afastados e aos que tiveram o contrato de
trabalho rescindido. A Fenaban disse não. Argumentou que não há
justificativa para mais uma remuneração fixa e que a Convenção
Coletiva de Trabalho (CCT) já conta com muitos benefícios. 

Salário
de ingresso

O
Comando Nacional também quer garantir o piso inicial, no setor
bancário, de R$3.299,66. O valor é equivalente ao salário mínimo
indicado pelo Dieese, como essencial para a sobrevivência do
trabalhador. A minuta da categoria também propõe o salário inicial
de R$4.454,54 para caixas e operadores de atendimento e a criação
dos pisos de R$ 5.609,42 para primeiro comissionado e de R$ 7.424,24
para primeiro gerente. Mas também não houve propostas por parte dos
banqueiros. 

Parcelamento
de adiantamento de férias

Os
dirigentes sindicais também defenderam a proposta da categoria de
que os trabalhadores, por ocasião das férias, possam requerer que a
devolução do adiantamento feito pelo banco seja efetuada em até
dez parcelas iguais e sem juros, a partir do mês subsequente ao do
crédito. Vários bancos já concedem essa vantagem aos bancários.
Os banqueiros ficaram de discutir entre os bancos, para responder
posteriormente.

Reajuste
dos auxílios

Outra
reivindicação é o aumento no valor dos vales alimentação,
refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá para R$788,00 ao mês,
para cada, correspondendo ao valor do salário mínimo nacional
vigente. Os banqueiros, mais uma vez, ficaram de responder
futuramente às reivindicações.

Auxílio
Educacional 

Os
bancários ainda solicitaram que as despesas com ensino médio,
graduação e pós-graduação sejam custeadas integralmente pelos
bancos. Atualmente, o auxílio educacional é estabelecido conforme
critério de cada instituição bancária. Nesta clausula, não houve
consenso entre os bancos e, conseqüentemente, não houve acordo.

15
minutos

O
debate sobre os 15 minutos de pausa para mulheres antecedendo a
jornada extraordinária também foi realizado nesta quarta. Foram
feitas as explicações do súbito cumprimento da lei, por parte dos
bancos, e do que poderia ser feito para modificar este procedimento.
Foi combinado uma pausa no debate enquanto o assunto tramita no STF. 

Calendário
de negociações

  • Fenaban:
    Dia 25/9
  • Banco
    do Brasil: 18/9 – Remuneração e Plano de Carreira
  • Caixa
    Econômica Federal: 18 /9 – Contratações, Condições das agências
    e Jornada de Trabalho
  • Itaú:
    23/9 – Emprego
  • Banco
    do Nordeste: 17 e 18/9 – Igualdade de Oportunidades 
  • Banco
    da Amazônia: 17 – Igualdade de Oportunidades
  • Banrisul:
    17/9 
  • Banco
    de Brasília: 17 e 21
  • Banco
    do Pará: 18/9 

Veja como foram todas as negociações realizadas com a Fenaban até agora

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